Por Geraldo de Majella*
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), do Partido Liberal (PL), reelegeu-se para um novo mandato em um cenário político marcadamente desigual. Sua vitória, sem dificuldades, evidencia não apenas a força do marketing de sua gestão e de sua articulação política, mas também a fragilidade da oposição, que se revelou incapaz de se consolidar como uma alternativa viável.
A campanha de reeleição de JHC foi marcada pela ausência de adversários capazes de apresentar uma plataforma consistente ou mobilizar setores significativos da população. Três meses após o pleito, o pouco que restava de oposição parece ter desaparecido por completo, vivendo na clandestinidade política.
Essa situação reflete a dificuldade de identificação dos candidatos que ousaram se inscrever para disputar o cargo de prefeito, um quadro que levanta questionamentos importantes sobre a saúde, a educação, a assistência social e a infraestrutura da capital alagoana.
O fenômeno de eleições com pouca ou nenhuma oposição significativa não é exclusivo de Maceió, mas, o caso de JHC chama a atenção pela sua dimensão. Sem o contraponto de adversários organizados, a reeleição transformou-se em um processo quase plebiscitário, em que a continuidade da gestão atual era vista como uma opção natural, senão, inevitável.
A oposição, que deveria desempenhar o papel de apresentar propostas alternativas e fiscalizar o governo, mostrou-se desarticulada e incapaz de se conectar com as demandas populares. A falta de um debate amplo e substantivo, antes e durante o período eleitoral, empobreceu a campanha, onde a discussão pública sobre o futuro da cidade sequer foi mencionada, privando os maceioenses de uma escolha realmente plural.
Enquanto JHC consolida sua liderança, a oposição permanece como um espectro, ausente das discussões públicas e incapaz de se fazer ouvir. O desafio que se coloca para Maceió é como reconstruir uma oposição em um ambiente tão disperso e apático.
*É historiador e jornalista






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