A Petrobras ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 700 bilhões em valor de mercado após anunciar uma nova descoberta de petróleo na Margem Equatorial, na costa do Amapá. No fechamento do pregão da B3 na sexta-feira (2), a companhia alcançou R$ 700,08 bilhões, novo recorde histórico.
Somente naquele dia, a Petrobras acrescentou R$ 20,9 bilhões ao seu valor de mercado. As ações preferenciais subiram 2,81%, enquanto os papéis ordinários tiveram alta de 3,25%.
A valorização ocorreu após a estatal comunicar uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. O poço está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma área com lâmina d’água de 2.886 metros.
A Petrobras informou que a nova descoberta foi identificada durante o avanço da perfuração, por meio de perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos. As análises laboratoriais ainda serão realizadas para caracterizar os recursos encontrados.
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o resultado aumenta as expectativas de que a Margem Equatorial possa representar uma nova fronteira exploratória para o país. A companhia informou que os trabalhos no poço Morpho continuam e que uma nova etapa de avaliação está prevista para 2027.
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o potencial recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente, considerando petróleo e gás natural.
Recorde
Antes de superar os R$ 700 bilhões, a Petrobras já havia registrado três máximas históricas em 2026. Os valores foram de R$ 692,35 bilhões em 15 de setembro, R$ 680,10 bilhões em 14 de abril e R$ 677,24 bilhões em 30 de março.
De janeiro a setembro, a Petrobras informou que a combinação entre valorização de mercado e proventos distribuídos aos acionistas representou uma geração de valor de aproximadamente 185% em dólar. Segundo a empresa, o resultado ficou acima do registrado por grandes companhias internacionais do setor.
Questões ambientais
A exploração de petróleo na Margem Equatorial, porém, continua sendo alvo de questionamentos ambientais e judiciais.
O Ministério Público Federal voltou a pedir, na segunda-feira (28), a suspensão da licença ambiental concedida para as atividades no bloco FZA-M-59. A ação tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
Entre os argumentos apresentados pelo MPF está um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico ocorrido durante uma operação de sonda em janeiro. Os procuradores também questionam a ausência de consulta prévia a povos indígenas, comunidades quilombolas e pescadores artesanais do Amapá e do Pará, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).







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