O poeta e ex-secretário de Cultura de Palmeira dos Índios, Cosme Rogério, professor do Instituto Federal (Ifal) e militante petista, publicou em suas redes sociais uma reflexão crítica sobre a trajetória do Partido dos Trabalhadores (PT) naquele município alagoano.
No artigo publicado, o ex-secretário propõe uma discussão aberta sobre o momento atual vivido pelo PT de Palmeira dos Índios. Intelectual e militante dos movimentos de cultura popular em Alagoas, Cosme Rogério aprofunda a crítica aos dirigentes do partido.
Segundo ele, o PT de Palmeira dos Índios “foi transformado num cartório, cuja direção cartorial não presta contas a ninguém na cidade. O PT foi reduzido a comitê eleitoral de Pedro Paulo e Sheila Duarte”.
No meio intelectual, Cosme Rogério é reconhecido como um especialista na obra de Graciliano Ramos, escritor de renome nacional, que foi prefeito de Palmeira entre 1928 e 1930.
Citando o ano de 2003, quando foi nomeado secretário de Cultura pelo então prefeito Albérico Cordeiro, o professor lembra que o PT logo inventou um processo burocrático.
“Teve de haver lista tríplice, debate entre os pré-indicados e votação entre os filiados. Foram as únicas vezes em que o PT municipal fez isso: quando eu fui para a pasta da Cultura, e Salete Barbosa para a do Meio Ambiente”, relembra.
Na crítica, o ex-secretário diz que, em 2024, o PT indicou o nome de Jezival Calixto para secretário de Assistência Social sem consultar os filiados. Para Cosme Rogério, “o que no passado foi apresentado como um processo democrático para indicar o nome do secretário de Cultura não passou do conhecido racismo estrutural, historicamente estruturante em nossa sociedade”.
Ele aponta diretamente o deputado federal Paulo Fernando, o Paulão, como responsável pelo que define como racismo estruturante.
“Se somente nós, negros e originários dos bairros empobrecidos da cidade, tivemos de passar por um processo para provar nossa capacidade, enquanto outras pessoas só precisaram da indicação e do aval dos dirigentes partidários locais e do deputado Paulão, não foi porque o PT municipal fosse democrático. O nome disso é racismo”, afirmou o ex-secretário palmeirense.
Crítica direta
No artigo, o professor Cosme Rogério citou como trabalhos que realizou no cargo de secretário de Cultura:
- A modernização da Casa Museu Graciliano Ramos;
- um concurso literário com recursos do BNB Cultural;
- a informatização da Biblioteca Pública Municipal, com conexão via satélite;
- a conclusão da urbanização da Transgoiti, incluindo a instalação de iluminação pública;
- o autorreconhecimento do povoado Tabacaria como “comunidade remanescente de quilombo”, a primeira comunidade assim certificada em Alagoas pela Fundação Palmares;
- a recriação do Festival Nacional da Pinha;
- a criação, em parceria com o Ministério Público, do projeto “Bola no Pé, Livro na Mão”;
- a formação de um time de futebol amador feminino no CSE;
- a realização da 1ª Conferência Intermunicipal de Cultura;
- e, por fim, a criação da lei que instituiu o primeiro Conselho Municipal de Cultura de Palmeira dos Índios, dando início à luta, ainda em curso, pela consolidação do Sistema Municipal de Cultura.
Ele completou a crítica com uma declaração dura: “Olhando agora, com a distância de duas décadas, vejo como tive de lutar, dentro e fora do PT municipal, para concretizar essas ações”.







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