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Comissão de Ética em xeque: parlamentares com ficha suja julgam Glauber Braga

por | 15 abr, 2025

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Glauber Braga | Kayo Magalhães/Câmara

A recente decisão da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados de votar pela cassação do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) levanta sérias questões sobre a imparcialidade e a integridade de certos membros dessa comissão. Muitos dos deputados que participaram dessa votação possuem históricos de envolvimento em processos judiciais, investigações e polêmicas éticas.

Entre os membros que votaram pela cassação de Glauber Braga, destaca-se o deputado Albuquerque (Republicanos-RR), autor do Projeto de Lei 1197/2023, que busca proibir a acareação entre acusado e vítima em casos de violência contra a mulher.

O deputado Albuquerque (Republicanos-RR) | Foto: Câmara dos Deputados

Outro nome controverso é o deputado Marinho (Republicanos-BA), envolvido no episódio do asfaltamento de uma fazenda em Irecê (BA), ligada à Igreja Universal, com recursos públicos no valor de R$ 2,3 milhões. A obra foi bancada por emenda parlamentar de Marinho, mas até o momento não há investigações formais sobre o caso, o que gera dúvidas sobre o uso de verbas públicas para fins privados.

O deputado Marinho (Republicanos-BA) | Câmara dos Deputados

O deputado Rafael Simões (União Brasil-MG), ex-prefeito de Pouso Alegre, também integra a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Simões foi condenado em 2021 a 10 anos de prisão por peculato, após ser acusado de desviar medicamentos e materiais hospitalares de um hospital público para beneficiar sua fazenda. Além disso, ele está envolvido na Operação Segunda Demão, que investiga superfaturamento em contratos municipais. Simões foi citado em interceptações telefônicas que indicam seu possível envolvimento em esquemas ilícitos relacionados a essas irregularidades.

O deputado Rafael Simões (União Brasil-MG) | Divulgação

Marcos Pollon (PL-MS), outro membro da comissão, também enfrenta investigações. Em 2023, foi alvo de um pedido de suspensão de sua diplomação no STF, acusado de apoiar movimentos golpistas contra o resultado das eleições presidenciais de 2022. Apesar disso, Pollon segue atuando normalmente na Câmara, sem que a Justiça tenha se manifestado adequadamente.

O deputado Marcos Pollon (PL-MS) | Foto: Câmara dos Deputados

Além disso, o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do processo de cassação do mandato do deputado Glauber Braga, possui um histórico de agressão física. Em 2001, Magalhães agrediu o jornalista e escritor Maneca Muniz dentro da Câmara dos Deputados, durante o lançamento de um livro que fazia denúncias contra seu tio, o então senador Antônio Carlos Magalhães. Apesar da gravidade do ato, o deputado não sofreu punição formal e seguiu sua carreira política sem ser responsabilizado pelo incidente.

O deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) | Foto: Câmara dos Deputados

O delegado Ramagem (PL-RJ), membro da comissão, também é alvo de várias investigações. Ele está sendo processado no STF por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, além de ser réu em uma ação penal por corrupção e uso indevido do sistema de geolocalização First Mile enquanto chefiava a ABIN. Sua presença na Comissão de Ética é altamente questionada, dada a gravidade das acusações que enfrenta.

O delegado Ramagem (PL-RJ) | Foto: Câmara dos Deputados

A presença, na Comissão de Ética, de parlamentares envolvidos em casos de corrupção, violência e apoio a atos antidemocráticos compromete a credibilidade da Câmara dos Deputados. A decisão de cassar o mandato de Glauber Braga, tomada por figuras com históricos tão controversos, expõe uma contradição preocupante e enfraquece os princípios de justiça e integridade que deveriam guiar a atuação parlamentar.

A falta de investigações e punições formais sobre diversos casos de corrupção e violência dentro da Câmara só aumenta o descredito sobre a Comissão de Ética. Em um momento crucial para a democracia, a sociedade precisa questionar os reais interesses de parlamentares cujas ações contradizem os valores que essa comissão deveria representar.

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