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Demagogia com energia: Alfredo Gaspar finge combater os estragos da privatização imposta por Bolsonaro

por | 18 abr, 2025

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Alfredo Gaspar

Por Geraldo de Majella*

O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) apresentou o Projeto de Lei 1170/2025 alegando combater o “desrespeito das concessionárias de energia elétrica”, que acumulam multas milionárias, não pagam, prestam serviços de péssima qualidade e ainda querem renovar seus contratos. Palavras bonitas, mas totalmente desconectadas da realidade dos fatos e da própria história do parlamentar e de seu campo político.

Alfredo Gaspar parece esquecer — ou quer que a população esqueça — que foi o governo de Jair Bolsonaro, do qual ele é aliado, que promoveu a maior entrega do setor elétrico nacional ao capital privado. Em junho de 2022, a Eletrobras, antes estatal estratégica e responsável por cerca de 30% da geração de energia elétrica no Brasil, foi privatizada. O governo Bolsonaro colocou ações da empresa à venda e reduziu sua participação de 65% para 42%, abrindo mão do controle acionário da companhia.

O resultado não demorou a aparecer: a precarização dos serviços se acentuou, o apagão nacional de agosto de 2023 escancarou os riscos da privatização e, mais recentemente, São Paulo mergulhou no caos energético. Os apagões sucessivos revelaram uma rede frágil, sem manutenção e com tempos de resposta vergonhosos. Em 2024, bairros inteiros da capital paulista passaram dias sem energia após chuvas moderadas — e a população assistiu à total incapacidade das concessionárias privatizadas em lidar com a crise.

A Eletrobras, agora sob comando privado, demitiu boa parte de seu corpo técnico qualificado, conforme denunciou Fabíola Antezana, diretora do Sindicato dos Urbanitários no DF. Sem profissionais experientes que conhecem o Sistema Interligado Nacional, qualquer falha leva horas, dias, até semanas para ser resolvida. A lógica do lucro máximo passou por cima da segurança energética e do serviço público.

Dizer que agora, com um projeto de lei, Alfredo Gaspar quer enfrentar os desmandos das concessionárias é hipocrisia. Seu partido e sua base defenderam com unhas e dentes a privatização do setor elétrico. O ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, chegou a dizer que o setor deveria ser “100% privado”. Agora, diante do colapso que ajudaram a construir, tentam posar de salvadores do povo.

É como colocar fogo na casa e aparecer com um balde d’água, filmando tudo para ganhar curtidas nas redes sociais.

Se Gaspar quisesse de fato defender os consumidores, estaria lutando para reestatizar a Eletrobras e rever os contratos entreguistas firmados durante o governo Bolsonaro. Estaria ao lado dos trabalhadores do setor elétrico, dos sindicatos e das entidades que há anos denunciam os riscos da privatização. Mas não: prefere o populismo barato de um projeto que, na prática, não muda o modelo, apenas tenta maquiar a realidade e tirar o foco de quem privatizou a empresa.

O povo brasileiro merece respeito, sim. Mas isso começa por enfrentar, de verdade, o desmonte do setor elétrico promovido por Bolsonaro e Guedes. Quem hoje tenta posar de defensor do consumidor, depois de apoiar essa destruição, não merece credibilidade. Chega de demagogia. Energia é direito, não mercadoria.

*Historiador e jornalista.

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