Mesmo diante do relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que acusa Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Gabriela Hardt de agirem como uma organização criminosa no interior do sistema de justiça brasileiro, parte expressiva da chamada “grande imprensa” insiste em defender a Operação Lava Jato, tentando preservar a narrativa de que se tratou de uma cruzada moral contra a corrupção.
Jornais como O Globo, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e revistas como Veja e IstoÉ, ao longo dos anos, atuaram não apenas como divulgadores de informações da Lava Jato, mas como parceiros ativos na construção de seu prestígio público. Editorialmente, defenderam os métodos abusivos, legitimaram vazamentos seletivos e naturalizaram o conluio entre juiz e acusação como “estratégia eficaz”.
Mesmo agora, com o CNJ revelando que os operadores da Lava Jato desviaram R$ 2,5 bilhões da Petrobras para criar uma fundação privada, esses veículos não reconhecem seu erro histórico. Alguns optam pelo silêncio, outros minimizam os fatos, chamando os abusos de “excessos pontuais” ou “erros processuais”. Nenhum deles admite o essencial: a Lava Jato foi um projeto político-judicial que destruiu a economia nacional, violou garantias constitucionais e interferiu diretamente no processo democrático.
Mais do que erro de avaliação, trata-se de cumplicidade ideológica e interesse de classe. A Lava Jato serviu a um projeto neoliberal de desmonte do Estado, de entrega de patrimônio público, de destruição da engenharia nacional e de criminalização de lideranças populares. Por isso, apesar das evidências, parte da imprensa continua defendendo o que resta da operação.
A defesa obstinada da Lava Jato por setores da mídia revela algo ainda mais grave: o compromisso desses veículos não é com a verdade nem com a democracia, mas com a manutenção de um projeto de poder excludente, antinacional e autoritário. Ao se recusarem a revisar suas posições, demonstram que não são apenas espectadoras do processo, mas protagonistas de sua distorção.
A imprensa que sustentou a Lava Jato deve à sociedade brasileira não apenas explicações, mas um pedido formal de desculpas. Enquanto isso não acontecer, sua autoridade moral continuará corroída — assim como foi corroída a credibilidade da operação que ela ajudou a blindar.






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