Cinco bairros inteiros de Maceió seguem marcados por um dos maiores desastres socioambientais da história recente do Brasil. Provocado por décadas de exploração de sal-gema pela mineradora Braskem, o afundamento do solo obrigou milhares de pessoas a deixarem suas casas, gerando traumas profundos e um longo processo de reparação social. É nesse contexto que nasce o Projeto Sankofa, com o objetivo de fortalecer práticas de cuidado e apoio psicossocial entre os atingidos.
Com aulas gratuitas e formação certificada, o projeto oferece um curso para a capacitação de Agentes de Apoio Psicossocial Comunitário (AAPC). A iniciativa é voltada para lideranças comunitárias, profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social e cultura, além de integrantes de coletivos, organizações da sociedade civil e demais moradores impactados pelo desastre.
A formação presencial será realizada entre junho e agosto de 2025, com carga horária de 80 horas, dividida em três turmas nos turnos da manhã, tarde e noite. O curso acontece no Centro de Excelência da Vida Espaço Terapêutico, e os interessados devem se inscrever previamente por formulário online. Os participantes receberão certificado emitido pela Fundação de Ensino, Extensão e Pesquisa de Alagoas da Uncisal – Fepesa.
As vagas são limitadas e serão preenchidas por ordem de inscrição, neste link.
Contemplado pelo programa Nosso Chão, Nossa História, do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), o projeto pretende formar até 150 agentes. A coordenadora Renata Guerda destaca a importância do envolvimento das comunidades na construção de respostas às crises. “As diferentes culturas e territórios podem criar redes de apoio que fortalecem o cuidado psicossocial”, afirma.
A Fepesa atua como parceira implementadora. Para a assessora jurídica da fundação, Michele Cordeiro, o projeto simboliza o compromisso com a reconstrução de laços sociais afetados pela tragédia provocada pela Braskem. “É uma oportunidade de transformação real, com impacto direto na vida das pessoas.”
As atividades incluem aulas teóricas, oficinas, construção coletiva de planos de trabalho, produção de um Álbum Afetográfico e um seminário sobre saúde mental comunitária. A formação nasce da Escola Livre de Formação para o Cuidado em Saúde – Cuidar, criada por pesquisadoras da Saúde Coletiva com foco em práticas integradas e humanizadas.







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