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Militantes de extrema-direita invadem a USP novamente e retiram faixas de protesto contra anistia

por | 3 jun, 2025

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Reprodução

O clima de tensão na Universidade de São Paulo (USP) ganhou novos contornos nesta segunda-feira, 2 de junho de 2025, com mais uma ação violenta de grupos de extrema-direita dentro do campus. O agente da Guarda Civil Municipal e militante do MBL (Movimento Brasil Livre), Victor Ruiz, retornou ao local acompanhado por outros quatro homens, numa tentativa explícita de intimidação aos estudantes.

A cena, gravada em vídeo e amplamente divulgada nas redes sociais, mostra o grupo retirando faixas que protestavam contra a anistia a golpistas bolsonaristas e ofendendo alunos com palavras como “vagabundos” e “maconheiros”. Nenhum deles foi detido pela segurança da universidade ou encaminhado à delegacia, o que gerou fortes críticas por parte da comunidade acadêmica e movimentos sociais.

Essa foi a segunda invasão protagonizada por Ruiz em menos de um mês. A primeira ocorreu no dia 14 de maio, quando ele já havia violado o espaço universitário com o mesmo intuito. Em ambas as ocasiões, o grupo agiu livremente dentro do campus, sem impedimentos por parte da Polícia Militar de São Paulo ou da própria segurança da USP.

A reitoria da universidade ainda não se manifestou oficialmente sobre os acontecimentos, embora os vídeos e denúncias estejam circulando com ampla repercussão. Estudantes cobram medidas urgentes, alegando que a responsabilidade da USP é objetiva, já que os atos ocorreram dentro de sua estrutura. “Esperamos que a universidade não deixe seus alunos enfrentarem esse tipo de afronta sozinhos”, afirmou uma estudante ao perfil “Fiscais do Lula”, no Instagram.

“Ele é tão machão que veio ‘garantido’ por outros homens iguais ou piores que ele”, ironizou uma das publicações. “Cadê a segurança da USP? Por que não foram detidos e levados à delegacia?”
A escalada de hostilidade promovida por extremistas reacende memórias de um dos episódios mais sombrios da história do movimento estudantil no Brasil: a Batalha da Rua Maria Antônia.

HISTÓRICO – A Batalha da Rua Maria Antônia

A chamada Batalha da Rua Maria Antônia aconteceu em 3 de outubro de 1968, poucos meses antes do AI-5. Na ocasião, estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, então localizada na Rua Maria Antônia, em São Paulo, entraram em confronto com militantes da direita armada, ligados ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que operava sob proteção do regime militar.

A troca de tiros e agressões físicas terminou com dezenas de feridos e um estudante morto: José Guimarães, de 20 anos, atingido dentro do prédio da universidade. O caso tornou-se um marco da repressão aos movimentos estudantis e um alerta sobre os riscos do avanço da violência política em espaços democráticos.

Os episódios recentes na USP em 2025, embora distintos em contexto, trazem ecos preocupantes do passado. A comunidade universitária e os defensores dos direitos democráticos esperam que as autoridades – tanto da universidade quanto do Estado – tomem medidas urgentes para garantir que a história não se repita.

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