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PL sob suspeita: o partido que abriga réus, foragidos, corruptos e golpistas

por | 18 jun, 2025

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Foto: Jacques Antunes/Brasil 247

O jurista Marcelo Uchôa denunciou nas redes sociais que o Partido Liberal (PL) vem atuando como um instrumento político da extrema-direita para desestabilizar o sistema democrático brasileiro, ao mesmo tempo em que protege integrantes envolvidos em crimes graves contra o Estado de Direito.

Em publicação no X (antigo Twitter), Uchôa foi enfático: “A gangue que governou o Brasil e tentou um golpe difundiu bem a falsa narrativa de que está sendo perseguida por uma ditadura. Abriu a porta para que cada picareta fuja do país com o consentimento de parte da população. De fora, articulará o revés. A realidade requer atenção dobrada!”

Segundo o jurista, o PL deveria ter seu registro cassado desde que apresentou pedido de anulação do segundo turno da eleição presidencial de 2022 — sem questionar os resultados dos governadores eleitos nas mesmas urnas eletrônicas. “A democracia perdeu uma oportunidade histórica ao não exigir mais consequências dessa farsa institucional”, criticou.

O caso Carla Zambelli

O foco principal da crítica de Uchôa foi a deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela foi responsabilizada por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e participar de um esquema de falsificação de documentos judiciais, como mandados de prisão e alvarás de soltura. A ação fazia parte de uma tentativa de desmoralizar o Judiciário e minar a autoridade do ministro Alexandre de Moraes.

© Lula Marques/ Agência Brasil

Após a condenação, Zambelli fugiu para a Europa, onde tenta se manter politicamente ativa e se apresentar como vítima de uma suposta perseguição. A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que ela integrava um grupo criminoso com objetivo claro: golpear o sistema democrático e enfraquecer instituições centrais da Justiça brasileira.

Outros nomes e fatos

Além de Zambelli, o partido abriga outras figuras-chave:

  • Jair Bolsonaro, réu no inquérito do STF que apura a tentativa de golpe de Estado após o resultado das eleições de 2022;
  • Eduardo Bolsonaro, investigado por articular apoio internacional, especialmente nos EUA, contra ministros do Supremo;
  • O PL como instituição foi multado em R$ 22,9 milhões pelo TSE em 2022, após contestar sem provas a integridade das urnas eletrônicas. Em 2023, o mesmo tribunal declarou Bolsonaro inelegível por abuso de poder político e desinformação.

Quantos parlamentares do PL estão sob investigação ou já são réus?

Dados atualizados até junho de 2025, segundo levantamento do Congresso em Foco:

  • 35 deputados federais do PL (de um total de 95) enfrentam processos judiciais — entre eles, acusações de:
    • Corrupção ativa e passiva
    • Disseminação de fake news
    • Incitação ao golpe de Estado (atos de 8 de janeiro)
    • Crimes eleitorais e contra a honra
  • 2 senadores também são alvo de investigações:
    • Flávio Bolsonaro (RJ), no Inquérito das Fake News no STF;
    • Eduardo Gomes (TO), por improbidade administrativa no TRF-1.

Box – Parlamentares do PL com pendências na Justiça

Fontes: Congresso em Foco, TSE, STF, TRF-1 (Dados apurados até junho/2025)

Um projeto de poder autoritário e imune à lei

A crítica de Marcelo Uchôa deixa claro que o PL não é apenas um abrigo para figuras controversas, mas um instrumento de ataque ao Estado Democrático de Direito, tentando normalizar práticas antirrepublicanas por meio do discurso da vitimização.

Como conclui o jurista, “os partidos que se utilizam da estrutura democrática para solapar a própria democracia precisam ser responsabilizados. Do contrário, a história se repetirá — como farsa e como tragédia.”

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