O jurista Marcelo Uchôa denunciou nas redes sociais que o Partido Liberal (PL) vem atuando como um instrumento político da extrema-direita para desestabilizar o sistema democrático brasileiro, ao mesmo tempo em que protege integrantes envolvidos em crimes graves contra o Estado de Direito.
Em publicação no X (antigo Twitter), Uchôa foi enfático: “A gangue que governou o Brasil e tentou um golpe difundiu bem a falsa narrativa de que está sendo perseguida por uma ditadura. Abriu a porta para que cada picareta fuja do país com o consentimento de parte da população. De fora, articulará o revés. A realidade requer atenção dobrada!”
Segundo o jurista, o PL deveria ter seu registro cassado desde que apresentou pedido de anulação do segundo turno da eleição presidencial de 2022 — sem questionar os resultados dos governadores eleitos nas mesmas urnas eletrônicas. “A democracia perdeu uma oportunidade histórica ao não exigir mais consequências dessa farsa institucional”, criticou.
O caso Carla Zambelli
O foco principal da crítica de Uchôa foi a deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela foi responsabilizada por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e participar de um esquema de falsificação de documentos judiciais, como mandados de prisão e alvarás de soltura. A ação fazia parte de uma tentativa de desmoralizar o Judiciário e minar a autoridade do ministro Alexandre de Moraes.
Após a condenação, Zambelli fugiu para a Europa, onde tenta se manter politicamente ativa e se apresentar como vítima de uma suposta perseguição. A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que ela integrava um grupo criminoso com objetivo claro: golpear o sistema democrático e enfraquecer instituições centrais da Justiça brasileira.
Outros nomes e fatos
Além de Zambelli, o partido abriga outras figuras-chave:
- Jair Bolsonaro, réu no inquérito do STF que apura a tentativa de golpe de Estado após o resultado das eleições de 2022;
- Eduardo Bolsonaro, investigado por articular apoio internacional, especialmente nos EUA, contra ministros do Supremo;
- O PL como instituição foi multado em R$ 22,9 milhões pelo TSE em 2022, após contestar sem provas a integridade das urnas eletrônicas. Em 2023, o mesmo tribunal declarou Bolsonaro inelegível por abuso de poder político e desinformação.
Quantos parlamentares do PL estão sob investigação ou já são réus?
Dados atualizados até junho de 2025, segundo levantamento do Congresso em Foco:
- 35 deputados federais do PL (de um total de 95) enfrentam processos judiciais — entre eles, acusações de:
- Corrupção ativa e passiva
- Disseminação de fake news
- Incitação ao golpe de Estado (atos de 8 de janeiro)
- Crimes eleitorais e contra a honra
- 2 senadores também são alvo de investigações:
- Flávio Bolsonaro (RJ), no Inquérito das Fake News no STF;
- Eduardo Gomes (TO), por improbidade administrativa no TRF-1.
Box – Parlamentares do PL com pendências na Justiça
Um projeto de poder autoritário e imune à lei
A crítica de Marcelo Uchôa deixa claro que o PL não é apenas um abrigo para figuras controversas, mas um instrumento de ataque ao Estado Democrático de Direito, tentando normalizar práticas antirrepublicanas por meio do discurso da vitimização.
Como conclui o jurista, “os partidos que se utilizam da estrutura democrática para solapar a própria democracia precisam ser responsabilizados. Do contrário, a história se repetirá — como farsa e como tragédia.”










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