Por Eleonora Duse de Pontes Leite*
De uns tempos pra cá, tenho apertado o controle remoto com a esperança de encontrar uma boa gargalhada. Aquelas que vinham de um texto bem escrito, de uma crítica bem feita, de um personagem que parecia saído da nossa rua, do nosso Brasil. Mas, em vez disso, o que encontro são piadas forçadas, quadros sem ritmo e um humor que parece ter perdido o ponto — e o respeito pelo espectador.
É inevitável não lembrar de uma época em que o humor da Globo sabia provocar riso e reflexão ao mesmo tempo. TV Pirata, Casseta & Planeta, Sai de Baixo… e como não mencionar A Escolinha do Professor Raimundo, com Chico Anysio brilhando em dezenas de personagens que hoje seriam verdadeiros estudos sociológicos do Brasil? Ou Renato Aragão e Os Trapalhões, que fizeram gerações rirem sem precisar apelar para grosserias ou fórmulas fáceis? Aquilo era humor com identidade. Com assinatura. Com alma.
Hoje, o que se vê é uma tentativa constante — e frustrada — de emplacar programas que parecem não saber se querem agradar a família tradicional ou viralizar no TikTok. O roteiro parece feito no automático, os personagens não convencem, e os quadros se arrastam como se já soubessem que ninguém vai rir.
O pior é que o humor do brasileiro mudou — e a TV não acompanhou. A gente não ri mais das mesmas piadas de vinte anos atrás, não aceita mais os mesmos estereótipos, e quer mais do que um figurino colorido e uma dancinha no final. Quer conteúdo, quer ironia fina, quer personagens com alma. E, acima de tudo, quer se sentir representado, não subestimado.
A Globo, que sempre teve grandes talentos e recursos de sobra, parece ter esquecido o essencial: o humor precisa de verdade, de risco, de ousadia. Sem isso, sobra apenas o silêncio do sofá. Um silêncio que grita: cadê o riso que estava aqui?
*Graduanda em Jornalismo — Faculdade Estácio





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