
Pastor Silas Malafaia participou, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, de ato em SP a favor da anistia aos golpistas (Foto: Leandro Chemalle/Thenews2/Folhapress)
A corrida presidencial de 2026 já começou — e, nos bastidores, uma complexa disputa por influência está mobilizando os principais líderes evangélicos do Brasil. Conforme reportagem de Gilberto Nascimento, publicada pelo The Intercept Brasil, três figuras religiosas centralizam os esforços para articular um novo bloco de poder político-evangélico: Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo; Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus; e Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira.
Essa tríade se movimenta com objetivos estratégicos claros: viabilizar a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos), consolidar Ricardo Nunes (MDB) como nome forte ao governo paulista e promover o retorno de personagens como Eduardo Cunha à cena política.
Segundo o pastor e deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), um dos articuladores do grupo de Malafaia, há cerca de dez grandes representações evangélicas no país com projetos políticos em andamento. Ele afirma que o objetivo comum é evitar que a esquerda volte ao comando do Executivo. “A esquerda não consegue conversar com o segmento”, declarou ao Intercept.
Embora unidas por uma pauta conservadora, as igrejas têm estratégias distintas. A Igreja Batista, por exemplo, não lança candidatos majoritários e prefere alinhar-se pontualmente com forças no poder, como explica o pastor Sergio Dusilek. A maior disputa, contudo, se dá dentro da própria Assembleia de Deus, dividida em múltiplas convenções.
A maior delas é a CGADB, liderada por José Wellington Bezerra, com 14 deputados federais e três senadores. A Assembleia Madureira, de Samuel Ferreira, soma sete deputados e um senador. Já a Vitória em Cristo, de Malafaia, conta com quatro parlamentares. O pastor Samuel Câmara, da CADB, também disputa espaço com três deputados ligados à sua convenção.
Malafaia, aliado histórico da direita, tenta herdar o espólio político do bolsonarismo. Embora descarte uma candidatura própria, quer ser o “conselheiro informal” de um eventual presidente conservador. Nas eleições recentes, organizou atos pedindo anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e mantém forte presença midiática e nas redes sociais.
Seu aliado em São Paulo é o deputado Gilberto Nascimento (PSD), que deve disputar a prefeitura da capital com apoio direto da Advec. Ele é apresentado por Sóstenes como “o candidato da nossa igreja”, com acesso a uma base de mais de 200 mil evangélicos no estado.

Governador de SP, Tarcísio de Freitas, prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes e advogado-geral da União, Jorge Messias (ao centro), participaram de culto na AD Brás em junho (Foto: Instagram AD Brás)
Já Samuel Ferreira tem priorizado a formação de uma bancada forte no Congresso. Apoiador de Bolsonaro em 2018 e 2022, agora se aproxima de Tarcísio e Nunes. Ele aposta na eleição de nomes ligados à Madureira e articula a aquisição de rádios para influenciar o eleitorado. O retorno de Eduardo Cunha à Câmara, por Minas Gerais, faz parte dessa estratégia.
O bispo Edir Macedo, por sua vez, atua com discrição, mas com estrutura robusta. Controla o Republicanos, com 44 deputados federais, além de manter forte influência na TV Record. Seu foco está em expandir o partido e mobilizar a base através do grupo Arimateia, que prepara podcasts e forma quadros políticos.

Bispo Edir Macedo, da Universal, durante culto na praça Jardim do Méier, no Rio de Janeiro (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
A Universal mantém silêncio sobre Lula, após apoiar Bolsonaro nas últimas eleições. A estratégia, segundo observadores do meio evangélico, é garantir a manutenção de recursos públicos — especialmente para a Record — e avaliar o melhor momento político para se posicionar.
Mesmo com divisões internas, os três blocos compartilham a intenção de ampliar seu poder institucional nas próximas eleições. Como um “Game of Thrones” evangélico, a disputa está longe de ser apenas religiosa: trata-se de uma guerra pelo controle de estruturas do Estado. E 2026 é o campo de batalha.
A reportagem completa pode ser lida neste link.






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