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Cientista denuncia omissão da Prefeitura de Maceió: JHC foi alertado sobre riscos e não agiu

por | 8 ago, 2025

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Reprodução/Instagram

O geocientista iraniano Mahdi Motagh, referência mundial em subsidência e desastres geológicos, afirmou publicamente que o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), e o coordenador da Defesa Civil, Abelardo Nobre, foram pessoalmente alertados por ele sobre os riscos iminentes nos bairros afetados pelo afundamento do solo, mas não tomaram providências para proteger a população.

Convidado pelo próprio prefeito JHC, o professor e pesquisador Mahdi Motagh, doutor em Geociências pela Universidade de Potsdam e vinculado ao prestigiado Centro Alemão de Pesquisas Geocientíficas (GFZ), esteve em Maceió para avaliar impactos da subsidência provocada pela exploração mineral de sal-gema em cinco bairros da capital alagoana. Especialista em monitoramento por radar (InSAR), Mahdi sobrevoou áreas afetadas ao lado da Defesa Civil e se reuniu com o prefeito para apresentar dados e alertas sobre o avanço da subsidência.

Em publicação no Instagram (@mahdi_motagh), o cientista compartilhou fotos das reuniões e fez um duro desabafo:

“Li o esboço do nosso artigo de pesquisa [para JHC] e destaquei com marcador o que pode ser analisado para decidir quais planos de desenvolvimento podem ser dados às áreas afetadas.”

Segundo Motagh, JHC leu os dados, sabia da gravidade da situação e dominava tanto o inglês quanto os conceitos científicos apresentados. No entanto, nada foi feito para retirar com urgência a população das áreas em colapso.

“Este caminho de investigação continuou. Entre estes, encontramos amigos muito queridos e, claro, inimigos perigosos. A data da apresentação: sexta-feira, 8 de agosto, para a prestação de contas que chegará.”

Os estudos serão apresentados durante a audiência pública convocada pela Defensoria Pública de Alagoas, que será coordenada pelo defensor Ricardo Melro, nesta sexta-feira (8 de agosto), às 10h, no auditório do Cesmac.

Mahdi é um dos autores do estudo e reafirma sua posição:

“JHC e Abelardo Nobre foram informados pessoalmente dos problemas e, até o momento, não tomaram nenhuma atitude para retirar a população dos bairros.” Os bairros continuam afundando, com casas rachadas e sob risco de morte.

Reprodução/Instagram

A postura dos agentes públicos — o prefeito JHC e o coordenador da Defesa Civil, Abelardo Nobre — é grave e pode configurar crime de prevaricação. Isso ocorre quando um servidor público retarda, deixa de praticar ou pratica indevidamente um ato de ofício, contrariando a lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

Solidariedade

A denúncia de Mahdi Motagh representa um marco internacional de cobrança por responsabilidade. Ele reforça seu apoio ao defensor Ricardo Melro:

“Querido @ricardmelro, desejo-lhe o melhor sucesso na sua audiência pública. Sua motivação e dedicação em ajudar as pessoas, especialmente aquelas que enfrentam circunstâncias difíceis devido à subsidência, são verdadeiramente extraordinárias.”

A fala de Mahdi desmonta o discurso da Prefeitura de que não havia conhecimento técnico suficiente sobre os riscos. O silêncio diante do alerta é, nas palavras do especialista, uma escolha com consequências humanas — e legais.

 

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