A decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, nesta segunda-feira (11), marca mais um revés para Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato. O tribunal rejeitou seu recurso e manteve suspensa a liminar que impedia o avanço de um processo no Tribunal de Contas da União (TCU). A apuração envolve o gasto de cerca de R$ 2,8 milhões em diárias e passagens pagas a procuradores da operação em Curitiba — um esquema de privilégios milionários autorizado na época por Dallagnol.
O ex-procurador, que construiu sua imagem como símbolo do combate à corrupção, agora é acusado de ter se beneficiado de práticas que configuram justamente o oposto: uso indevido de recursos públicos e blindagem interna para proteger seus “corruptos de estimação”. A operação que se vendia como símbolo da moralidade não apenas praticava corrupção, mas também manteve relações ilegais com a agência de inteligência dos Estados Unidos e o Departamento de Justiça norte-americano, abrindo espaço para ingerências externas sobre processos e decisões estratégicas no Brasil.
Não é a primeira vez que Dallagnol recorre a manobras jurídicas para tentar barrar o caso. Sua estratégia, reiteradamente rejeitada pelo Judiciário, visa impedir que o TCU cumpra sua função constitucional de fiscalizar gastos públicos. O relator, ministro Humberto Martins, foi categórico: não há qualquer prova robusta de ilegalidade capaz de justificar interromper a investigação. Na prática, a tentativa de blindagem soou mais como artifício protelatório para adiar o inevitável — a prestação de contas.
O episódio desmonta o mito da Lava Jato como cruzada ética. Enquanto discursava contra a corrupção, a operação operava no submundo da política e da geopolítica, colaborando com interesses estrangeiros e garantindo impunidade aos seus aliados internos. Hoje, no linguajar das cadeias, “a casa caiu” para Dallagnol — e com ela, a narrativa salvacionista que o sustentava.





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