O governo de São Paulo vendeu o terreno do antigo Presídio do Hipódromo, localizado no bairro do Brás, em São Paulo, por R$ 11,1 milhões — menos da metade do valor estimado de mercado, que varia entre R$ 25,2 milhões e R$ 27,8 milhões. A transação foi realizada em outubro de 2024 e formalizada em junho de 2025, quando o imóvel foi integrado ao Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo (FIISP), administrado pela Singulare Corretora.
O Presídio do Hipódromo tem grande relevância histórica, pois foi utilizado como centro de repressão política durante a ditadura militar (1964-1985). Entre os presos que passaram por lá estão o ex-deputado José Genoino e a cantora Rita Lee. Além disso, o local serviu de cenário para filmes como “O Beijo da Mulher Aranha”, que retratam o período de repressão.
A venda do imóvel gerou indignação entre familiares de vítimas da ditadura. Maria Auxiliadora de Almeida de Cunha Arantes, psicanalista e esposa de Aldo da Silva Arantes, que foi preso no local em 1976, afirmou: “Esse local deveria ser um lugar de memória. Várias pessoas foram torturadas e mortas lá”.
O governador Tarcísio de Freitas defendeu a venda como parte de uma política de desapego de áreas subutilizadas. Em entrevista ao G1, ele afirmou: “Não dá para ficar se apegando à área, patrimônio. Isso é uma lógica meio patrimonialista”.
Reportagem da Agência Pública destaca que, ao vender o imóvel por um valor abaixo do mercado, o governo paulista não apenas desconsiderou seu valor histórico, mas também comprometeu a preservação da memória da resistência política durante o regime militar.
A venda do Presídio do Hipódromo levanta questões sobre a preservação da memória histórica e a responsabilidade do Estado em reconhecer e valorizar os locais que foram palco de violações de direitos humanos.





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