Atuando diretamente dos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista Paulo Figueiredo têm desempenhado um papel que é classificado como aberta sabotagem contra a economia brasileira. Em articulação com autoridades e empresários alinhados a Donald Trump, os dois teriam contribuído para o endurecimento das tarifas impostas aos produtos brasileiros, medida que já está provocando demissões em diversas cidades do país e obrigando o governo federal a socorrer empresas afetadas.
O impacto é devastador: R$ 30 bilhões serão injetados pelo Planalto para sustentar setores exportadores atingidos pelo chamado tarifaço de Trump. O pacote emergencial inclui linhas de crédito via Fundo Garantidor de Exportações (FGE), incentivos fiscais e compras governamentais para evitar a quebra de empresas e preservar empregos.
Eduardo Bolsonaro, que continua sendo pago pelos cofres públicos como parlamentar, estaria atuando para enfraquecer a economia nacional com o objetivo político de pressionar o Judiciário brasileiro e obter vantagens no processo que mantém seu pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Nos bastidores, a estratégia seria usar a crise comercial para desgastar o governo Lula e criar um clima favorável à narrativa de perseguição política.
A medida adotada por Trump atinge diretamente setores como café, carne, frutas, pescado e têxteis, encarecendo os produtos brasileiros no mercado norte-americano e reduzindo sua competitividade. Para Lula, trata-se de um ataque deliberado à soberania nacional, reforçado pela participação de brasileiros que, segundo o governo, atuam contra o próprio país.
“Não vou rastejar. Vamos procurar outros países para vender. O Brasil não se submeterá a chantagens políticas”, declarou o presidente, ao anunciar o programa Brasil Soberano, voltado a proteger empresas e empregos diante da escalada tarifária.
Economistas alertam que o prejuízo inicial de R$ 30 bilhões pode crescer, caso a guerra comercial se prolongue. Mas, para além do custo financeiro, a crise expõe um dilema mais profundo: como conter a ação de agentes políticos brasileiros que operam no exterior contra os interesses do próprio Brasil?
Para especialistas em relações internacionais, a atuação de brasileiros no exterior contra os interesses nacionais não é apenas uma questão ética ou moral, mas um problema de segurança estratégica.
Enquanto o governo se mobiliza para proteger empresas e trabalhadores dos efeitos do tarifaço, permanece a urgência de criar mecanismos institucionais capazes de responsabilizar, no Brasil e fora dele, quem se alia a potências estrangeiras para enfraquecer o país. Afinal, a soberania não se defende apenas nas fronteiras – mas também nos atos de cada cidadão investido de mandato público.





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