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Dez indiciados pela Polícia Federal em trama golpista não viram réus

por | 10 set, 2025

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Valdemar da Costa Neto | Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Apesar de apontados pela Polícia Federal (PF) como participantes da engrenagem que tentou manter Jair Bolsonaro na Presidência após as eleições de 2022, dez personagens escaparam, ao menos por ora, de serem julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Dos 40 indiciados em novembro de 2024, dez nomes ficaram de fora da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada em fevereiro. A exclusão impede que sejam transformados em réus.

Entre eles está Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), que hoje lidera a campanha no Congresso por uma anistia aos condenados pela invasão de 8 de janeiro. Segundo a PF, ele financiou e apoiou ações contra a lisura das urnas eletrônicas, chegando a apresentar um relatório com informações falsas à Justiça Eleitoral.

Outro nome que escapou é o argentino Fernando Cerimedo, ex-estrategista digital de Javier Milei e figura central na desinformação sobre urnas eletrônicas. Investigação da Agência Pública já havia revelado sua influência como “guru” da extrema direita latino-americana.

No núcleo civil, está também Tércio Arnaud Tomaz, ex-assessor especial de Bolsonaro e apontado como integrante do “Gabinete do Ódio”. Ao lado dele, aparecem o advogado Amauri Feres Saad, autor de textos que embasaram a minuta de golpe; e o padre José Eduardo de Oliveira e Silva, que participou de reuniões com Bolsonaro e teria incentivado militares por meio de mensagens religiosas.

José Eduardo de Oliveira e Silva, padre da diocese de Osasco (SP) | Reprodução

No grupo militar, cinco nomes foram poupados pela PGR: o coronel Alexandre Castilho Bitencourt da Silva, que articulou a “Carta ao Comandante do Exército”; o coronel Anderson Lima de Moura; o coronel da reserva Carlos Giovani Delevati Pasini; o general da reserva Laércio Vergílio, acusado de pressionar o Alto Comando; e o tenente Aparecido Andrade Portela, suplente da senadora Tereza Cristina (PL-MS), acusado de intermediar recursos do agronegócio para atos golpistas.

Coronel Alexandre Castilho Bitencourt da Silva | Reprodução

Entre os que seguem com situação indefinida está o influenciador Paulo Figueiredo, neto do último presidente da ditadura militar, João Figueiredo. Denunciado pela PGR por disseminar desinformação e incitar militares, ele vive nos Estados Unidos e é considerado foragido. O ministro Alexandre de Moraes chegou a determinar sua prisão preventiva, mas ainda não há decisão do STF sobre torná-lo réu.

Paulo Figueiredo | Reprodução

Sem advogado constituído, Figueiredo é defendido pela Defensoria Pública da União (DPU), que contesta a forma de notificação usada pelo Supremo. Moraes pediu parecer da PGR, que ainda analisa o caso.

Figueiredo nega as acusações e diz ser vítima de perseguição política. Em transmissões online, afirmou que o processo é um “reality show” e que o STF envergonha o Brasil.

Enquanto o julgamento dos dez excluídos permanece em aberto, a PGR afirma que suas condutas poderão ser analisadas em processos apartados.

*Com Agência Pública

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