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Bate-boca na CPMI do INSS expõe truculência e espetáculo político do relator Alfredo Gaspar

por | 14 out, 2025

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Reprodução

O depoimento do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas, nesta segunda-feira (13), terminou em confusão e gritos. A sessão precisou ser interrompida após um bate-boca acalorado entre Stefanutto e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).

Durante as perguntas, Gaspar elevou o tom de voz e insistiu em questionamentos sobre supostas irregularidades durante a gestão de Stefanutto. O ex-presidente do INSS reagiu, acusando o parlamentar de desrespeito e chamando o trabalho do relator de “vergonha”, o que acirrou os ânimos no plenário.

“Me respeite”, exigiu Stefanutto, após ser interrompido em meio a uma pergunta considerada ofensiva.

“Nem tenho medo de cara feia, nem de bandido perigoso, nem de ladrão de milhões”, rebateu Gaspar, em tom exaltado.

Nos bastidores, o deputado ainda declarou à imprensa: “Só falta depoente chegar e urinar na mesa por conta desses habeas corpus preventivos, que são vergonhosos.”
A sessão foi suspensa duas vezes para tentar restabelecer a ordem. Stefanutto, ao retomar a palavra, pediu desculpas pela troca de ofensas, mas afirmou que “respondeu à altura” diante da tentativa de desmoralização de sua trajetória.

O estilo Gaspar: da promotoria ao palco parlamentar

O comportamento do relator tem se repetido em outras audiências da CPMI. Ex-promotor de Justiça, Alfredo Gaspar parece reproduzir no Congresso o estilo autoritário e performático de sua atuação no Ministério Público. Nas sessões anteriores, já havia sido acusado de grosseria e falta de civilidade aos arguir as representantes da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Controladoria-Geral da União (CGU), também convocadas a depor.

Sua postura remete mais a um inquisidor que busca vídeos virais de confronto, do que a um parlamentar empenhado em apurar responsabilidades com serenidade e rigor técnico. O relator transforma cada sessão da CPMI em palco de espetáculo político, apostando em cenas de intimidação para construir a imagem do deputado “que enfrenta corruptos”.

Essa teatralização do poder público — marcada por ofensas, gestos autoritários e ataques pessoais — enfraquece o sentido democrático das comissões parlamentares, que deveriam priorizar o debate racional, o contraditório e o direito de defesa.

A CPMI do INSS tem um papel importante: investigar uma das maiores fraudes já registradas contra aposentados e pensionistas do país. No entanto, ao adotar uma retórica de confronto permanente, Gaspar transforma a investigação em arena de vaidades e palco eleitoral antecipado.

O discurso moralista, sem sustentação técnica, produz mais ruído que resultado. A agressividade do relator revela um projeto político que se apoia no populismo penal e na encenação punitivista, herança de um tempo em que a força era usada como método de autoridade — um eco dos tempos das “volantes” que caçavam Lampião no sertão, agora revivido no parlamento.

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