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Acessibilidade além das rampas: o design que transforma o cotidiano

por | 29 out, 2025

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Foto: Assessoria

Pensar em acessibilidade normalmente nos leva a imaginar pessoas em cadeiras de rodas, com dificuldades de locomoção, deficiência visual ou auditiva, e idosos com necessidades específicas. No entanto, a acessibilidade é muito mais ampla: ela está presente em diversas atividades diárias, muitas vezes de forma tão natural que passa despercebida. Um exemplo simples são os sapatos sem cadarços, que facilitam o calçar e descalçar, beneficiando pessoas com mobilidade reduzida, dificuldades motoras e até crianças em fase de aprendizado da autonomia.

Portas automáticas, comuns em comércios e edifícios públicos, também cumprem um papel importante ao permitir a passagem fácil de pessoas com deficiência física, usuários de cadeira de rodas ou quem transporta objetos pesados. Outro exemplo são as frutas cortadas e embaladas, vendidas em supermercados e lojas de conveniência. Além de práticas, elas favorecem pessoas com limitações motoras e aquelas que vivem sozinhas, permitindo comprar pequenas porções de alimentos e evitando desperdícios.

Mas será que essas soluções também não estimulam o consumo e podem ser encaradas como oportunidades de negócio? Para a arquiteta Renata Nobile, especialista em projetos com foco em acessibilidade, a resposta é sim. “A acessibilidade não ajuda apenas pessoas com limitações físicas ou mentais, ou idosos. Ela representa uma tendência mundial presente em todas as áreas de atuação”, afirma.

Foto: Assessoria

Renata, que atua há mais de dez anos na área, cita outros exemplos que fazem parte do dia a dia: “Legendas em vídeos, filmes e programas de TV tornam o conteúdo acessível para pessoas surdas ou com perda auditiva, além de serem úteis em locais onde o som não pode ser usado.”

Segundo a arquiteta, esse olhar deve estar presente em todas as esferas — em casa, no trabalho, em empresas públicas e privadas. Ignorar a acessibilidade, explica ela, pode gerar consequências sérias, como acidentes domésticos e dificuldades no uso de espaços e produtos.

Os avanços tecnológicos também têm papel essencial nesse cenário. Comandos por voz em celulares e assistentes virtuais, como a Alexa, permitem controlar dispositivos, pesquisar informações e até acionar sistemas de automação residencial — promovendo mais autonomia e praticidade.

Na indústria da beleza, a preocupação com o tema ganha cada vez mais destaque. A marca Rare Beauty, criada por Selena Gomez, é um exemplo: suas embalagens foram desenhadas pensando em pessoas com limitações motoras, unindo design funcional e estética. No Brasil, empresas como a Natura já incluem leitura em Braille nas embalagens, reforçando o compromisso com a inclusão.

Essas soluções refletem o conceito de desenho universal, que propõe criar produtos, espaços e serviços utilizáveis por todas as pessoas, independentemente da idade, capacidade física ou condição, sem necessidade de adaptação.

Como reforça Renata Nobile, “a acessibilidade vai muito além das rampas e dos elevadores — ela está nas pequenas inovações que tornam o cotidiano mais inclusivo, prático e confortável para todas as pessoas”.

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