A obra “Diário de uma Mãe de Santo”, da yalorixá Mãe Neide Oyá d’Oxum, será tema de atividades do projeto Café Literário no sistema prisional de Alagoas, ampliando as ações de ressocialização desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris). A iniciativa integra o programa “Livros que Libertam”, que possibilita a remição da pena por meio da leitura.
A partir de agosto, a Imprensa Oficial Graciliano Ramos passará a doar títulos publicados pela editora e promover encontros entre autores e pessoas privadas de liberdade. Um dos destaques será a participação de Mãe Neide, autora de “Diário de uma Mãe de Santo” e “Wa Jeun: Sabores Ancestrais Afro-indígenas”. O primeiro livro foi o mais vendido da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas e será debatido por cerca de 30 reeducandos da ala LGBTQIAPN+ do Presídio Cyridião Durval, em Maceió.
Criado em 2022, o Café Literário já passou por todas as unidades prisionais do estado e busca estimular o conhecimento, fortalecer a saúde emocional dos apenados e contribuir para um retorno mais digno à sociedade. Cada obra lida garante a redução de quatro dias da pena, conforme previsto na Lei de Execução Penal.
Assessor técnico de Ensino, Cultura e Esporte da Seris, o policial penal Ademir Santos destacou que os encontros mensais permitem aos participantes interagir diretamente com os autores homenageados e expressar as reflexões despertadas pela leitura por meio da música, da dança e de outras manifestações culturais.
“É um momento de interação muito valioso para eles, já que todos podem se manifestar por meio da música ou da dança, por exemplo. A forma de expressar aquilo que aprenderam fica a critério do grupo participante”, afirmou.
Desenvolvido em parceria com a Academia Alagoana de Letras, o projeto também fortalece o direito à assistência religiosa no sistema prisional. Além do encontro com os reeducandos, Mãe Neide participará de atividades no Presídio Feminino Santa Luzia, levando acolhimento espiritual às internas.
“Sinto-me honrada em poder ajudar essas mulheres, que, além de presas, acabam abandonadas no cárcere, em razão do preconceito. É uma espécie de dupla punição. Estão todos de parabéns pela iniciativa”, disse a sacerdotisa, destacando ainda a atuação do Pai Manoel Xoroquê na introdução das religiões de matriz africana nas unidades prisionais.
Segundo o secretário de Estado da Ressocialização e Inclusão Social, Diogo Teixeira, a política de ressocialização é uma das estratégias para reduzir a reincidência criminal. “Transformar vidas e reduzir a reincidência criminal são nossas metas, e o ‘Livros que Libertam’ é um dos nossos orgulhos”, afirmou.
Para o diretor-presidente da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, Maurício Bugarim, a ampliação da parceria representa uma oportunidade de promover conhecimento e valorizar a cultura alagoana. “Esse projeto é uma grande oportunidade de recomeço. Ele não só leva conhecimento, disseminando a nossa cultura, mas também humaniza o cumprimento da pena”, ressaltou.






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