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O Império ChatGPT: farsa, exploração e a bolha bilionária

por | 1 dez, 2025

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Foto: Divulgação

A OpenAI, criadora do ChatGPT, é a nova face da filantropia tecnológica ou o mais novo império global? Para a jornalista Karen Hao, a resposta é categórica: trata-se de um império disfarçado. Em uma entrevista bombástica, a engenheira mecânica formada pelo MIT, que se tornou uma das repórteres mais críticas do setor, detalha a investigação que a levou a ser banida da sede da empresa de Sam Altman.

Sua obra, “The AI Empire” (O Império da IA), é um raio-x cirúrgico da indústria. Hao traça quatro paralelos diretos entre as big techs da Inteligência Artificial e os antigos impérios coloniais, apontando para uma máquina de alargar desigualdades.

O primeiro paralelo é a apropriação de recursos: os dados. Bilhões de informações coletadas da internet sem consentimento viram insumo para treinar modelos que valem fortunas.

O segundo é a exploração do trabalho. Enquanto a IA promete automatizar, ela corrói direitos trabalhistas e se baseia na precarização. A repórter denuncia a terceirização de tarefas cruciais no Sul Global, onde trabalhadores, como os contratados no Quênia, são expostos ao conteúdo mais tóxico da internet para treinar os filtros do ChatGPT. É um “espaço infinito de dor” para que o chatbot pareça inofensivo.

Em terceiro lugar, vem o monopólio do conhecimento. A OpenAI e similares capturam os maiores talentos de pesquisa, distorcem a compreensão pública sobre as limitações da IA e censuram pesquisas críticas que poderiam beneficiar a sociedade.

O quarto pilar é o discurso de “missão civilizatória”. Altman e seus pares vendem a ideia de uma corrida existencial contra a China – o suposto “império malvado” – para justificar o acesso irrestrito a recursos. Se os EUA vencerem, a humanidade alcançará a utopia da IA. Se perderem, o caos. É uma narrativa moralista para ocultar danos graves.

Mas o prejuízo vai além da ética. Hao questiona a viabilidade econômica do setor, que ela vê como uma bolha. A OpenAI está a caminho de perder cerca de 27 bilhões de dólares em dois anos. Assinaturas e produtos de consumo não estão cobrindo o buraco de 1,4 bilhão de dólares. Para a especialista, o boom de investimentos não passa de um empréstimo circular entre as sete maiores empresas de tecnologia.

Os danos da corrida pela IA são ambientais, com centros de dados que consomem quantidades históricas de energia e água, revertendo avanços climáticos. E o pior: são um perigo para a democracia. Ao monopolizar poder e conhecimento, esses impérios erodem a liberdade fundamental de bilhões de pessoas decidirem seu próprio futuro.

A resistência, segundo Hao, está no Código Aberto (Open Source). Usar modelos abertos significa minar o monopólio corporativo e evitar ceder dados e, portanto, poder a esses impérios. É a única forma de impulsionar a IA de interesse público, desenvolvida por pesquisadores independentes. A questão é clara: que ferramenta tecnológica pode valer a nossa liberdade?

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