A jornalista Cristina Serra fez duras críticas a uma decisão da Justiça de Alagoas que condenou vítimas do desastre provocado pela mineração de salgema da Braskem, em Maceió, após a realização de um protesto pacífico em frente à sede da empresa. Para ela, trata-se de uma das situações “mais infames, aviltantes e covardes” possíveis: a transformação de vítimas de um crime em rés.
Segundo Serra, o caso envolve moradores de cinco bairros afetados pelo afundamento do solo causado pela atividade minerária da Braskem, que atingiu diretamente cerca de 60 mil pessoas. As vítimas realizaram diversas manifestações ao longo dos anos, exercício que, como destaca a jornalista, é um direito constitucional. Uma dessas mobilizações ocorreu em dezembro de 2021, de forma pacífica, em frente à empresa.
A Braskem recorreu ao Judiciário, e a decisão, proferida recentemente pelo juiz José Frânio dos Santos Oliveira, da 29ª Vara Cível da capital, determinou que os manifestantes não podem mais protestar nas imediações da empresa. Além disso, eles ficaram sujeitos a multa em caso de descumprimento e foram condenados ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios.
Para Cristina Serra, a medida agrava ainda mais a situação de quem já sofreu perdas patrimoniais, emocionais e sociais profundas. “A pessoa sofre impactos devastadores e não tem o direito sequer de se manifestar, de protestar em frente à sede da empresa”, afirmou.
A jornalista ressaltou que cabe recurso e que as vítimas devem recorrer da decisão. Ela disse esperar que a segunda instância reverta o que classificou como uma “vergonha para o Judiciário alagoano” e criticou a relação entre o sistema de Justiça e interesses econômicos. “Isso é resultado de um Poder Judiciário aqui no Brasil que é amigo do poder econômico”, concluiu.
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