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Estudantes da Ufal transformam desigualdade social em pauta jornalística

por | 17 fev, 2026

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Foto: Divulgação

Perguntas básicas do jornalismo — o quê, quem, quando, onde e por quê — foram o ponto de partida para uma reportagem produzida por três estudantes de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas. Jhessyka Fernandes, Sinara Beserra e Maryana Carvalho assinaram o trabalho “‘A fome dói’: Instituto Amigos da Sopa alimenta e capacita comunidades carentes”, que lança luz sobre a insegurança alimentar e a desigualdade social no estado.

O interesse pelo tema surgiu a partir do contexto alagoano. Dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que Alagoas figura entre os estados mais desiguais do país. Ao conhecer o Instituto Amigos da Sopa (Iasal), as estudantes decidiram investigar como a iniciativa atua para além da assistência imediata.

A apuração revelou que o instituto distribui semanalmente milhares de litros de sopa a centenas de famílias desde 2012 e também oferece cursos profissionalizantes e campanhas de arrecadação. “Percebemos que não era apenas ajuda pontual. Eles atuam para reduzir a insegurança alimentar de forma estrutural”, explicou Jhessyka Fernandes.

Segundo ela, a reportagem também buscou estimular a cultura da doação e reduzir a desconfiança em relação às organizações da sociedade civil. “A ideia foi mostrar que é possível acompanhar, confiar e se envolver”, afirmou.

O processo de produção trouxe desafios. As estudantes relataram dificuldade em encontrar dados locais consolidados e confiáveis, o que exigiu apuração redobrada. “Precisamos checar fontes, comparar números e ter cuidado com um tema sensível”, destacou Sinara Beserra.

O contato direto com famílias atendidas pelo projeto marcou a experiência. Para Sinara, o jornalismo exige escuta e sensibilidade. “Dar voz a pessoas reais, com histórias reais, é o que dá sentido à profissão”, disse. Maryana Carvalho reforçou que ouvir os relatos renovou sua motivação. “É duro, mas necessário conhecer essa realidade para informar melhor a sociedade.”

Além da escrita, as estudantes participaram de ações do instituto, como a distribuição de cestas básicas. A vivência reforçou a percepção de que os números representam pessoas. “Não são estatísticas, são famílias”, resumiu Sinara.

Para o trio, a experiência também evidencia a importância da formação universitária. “A base teórica, o contato com professores e a prática orientada fizeram toda a diferença”, afirmou Sinara. Maryana acrescentou que a universidade forma profissionais e cidadãos.

As estudantes defendem um jornalismo que vá além da notícia rápida. “Essas histórias precisam de tempo e aprofundamento”, disse Sinara. Jhessyka concluiu: “A informação liberta, mas precisa ser cobrada e produzida com compromisso social.”

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