
Foto: Joyce Juliana/ Ascom Semed
A Prefeitura de Maceió afirma que 83 das 157 unidades da rede municipal de ensino estão “100% climatizadas”. A meta oficial é atingir 100% até 2026. O número é reiterado em publicações institucionais no site da gestão e nos canais da Secretaria Municipal de Educação (Semed).
Sob a ótica quantitativa, 83 de 157 unidades representam pouco mais de 52% da rede municipal. Trata-se, em tese, de um avanço relevante. A questão surge quando se analisa a base documental disponível ao público.
Nas publicações oficiais acessíveis, apenas quatro escolas aparecem nominalmente identificadas como “100% climatizadas”. Não há, até o momento, a divulgação de uma lista completa das 83 unidades anunciadas. Não há planilha consolidada. Não há relatório técnico público que permita à imprensa ou ao cidadão conferir quais escolas compõem esse total.
O contraste é direto:
• 157 unidades compõem a rede municipal;
• 83 são anunciadas como totalmente climatizadas;
• 4 aparecem nominalmente identificadas nas divulgações oficiais.
Sem a relação nominal das demais 79 unidades, o dado serve como peça de marketing, mas não constitui informação confiável.
O mesmo ocorre com as 55 unidades que estariam com projetos elétricos e de climatização em andamento. A informação é divulgada de forma genérica. Não se sabe quais são essas escolas, qual o estágio de execução das obras, qual o percentual físico concluído nem o cronograma detalhado para entrega.
Outro ponto central é o conceito de “100% climatizada”. O termo não vem acompanhado de definição técnica pública. Não está explicitado se o critério considera:
• Todas as salas de aula equipadas e operando simultaneamente;
• Adequação integral da rede elétrica;
• Funcionamento pleno em todos os turnos;
• Manutenção regular assegurada.
Sem critérios técnicos formalmente publicados, o conceito pode variar na prática.
As informações divulgadas são produzidas pela própria assessoria da Prefeitura. São peças de comunicação institucional que apresentam metas e números que supostamente mascaram a realidade, mas não disponibilizam a base detalhada que sustenta os dados. A ausência dessa base limita a transparência e impede validação independente.
Em 2024, a gestão anunciou investimentos de R$ 211,3 milhões na Educação, incluindo ampliação de 10 mil vagas, aquisição de climatizadores de ar e fardamento para 55 mil estudantes. Também informou que 32 unidades começaram a receber equipamentos de ar-condicionado dentro de um projeto de requalificação da rede elétrica.
No entanto, os anúncios agrupam diferentes ações em um mesmo pacote de investimento, sem detalhar quanto, especificamente, está sendo destinado à climatização. Tampouco especificam quais unidades receberam equipamentos, quais estão operando plenamente e quais dependem de adequações estruturais.
A climatização integral da rede foi apresentada como prioridade desde o primeiro mandato do prefeito JHC. Hoje, já no segundo mandato, a meta continua projetada para 2026, enquanto os dados completos seguem indisponíveis ao público.
Em uma capital com temperaturas elevadas durante praticamente todo o ano, climatização escolar é componente estrutural da política educacional, não elemento acessório.
A discussão, portanto, não é apenas sobre números anunciados, mas sobre transparência na execução. Se 83 escolas estão 100% climatizadas, a divulgação da lista nominal, dos critérios técnicos adotados e do estágio real das demais unidades seria medida básica de prestação de contas.
Política pública se sustenta em dados verificáveis. Sem eles, permanece apenas a narrativa oficial.




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