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O tabuleiro político de JHC

por | 12 mar, 2026

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Reprodução

Por Geraldo de Majella*

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), construiu uma trajetória política meteórica. Com forte presença na opinião pública da capital, tornou-se um dos gestores mais bem avaliados da cidade. Ainda assim, atua como um outsider dentro do sistema político tradicional.

Apesar do capital eleitoral em Maceió, JHC não dispõe de um partido consolidado nem de um grupo com capilaridade no interior de Alagoas. Essa fragilidade o coloca em posição delicada nas disputas estaduais, onde alianças eleitorais amplas costumam definir os resultados.

O prefeito também aposta no fortalecimento de um projeto político familiar. Na eleição anterior, lançou o irmão, que foi bem votado, mas derrotado. Agora ensaia lançar a esposa, Marina Candia, candidata a deputada federal ou ao Senado. Ao mesmo tempo, o ex-deputado João Caldas, seu pai, é cogitado para disputar uma vaga de deputado estadual.

Nos bastidores, as relações revelam tensões. Os acordos com o deputado Arthur Lira (PP) dão sinais de desgaste. Lira, habilidoso no jogo político nacional, vê na eleição para o Senado uma oportunidade única. Para isso, precisaria “limpar a área” e ter JHC como candidato ao governo de Alagoas, abrindo espaço para sua eleição.

Mas Lira trabalha com cenários alternativos. Caso o prefeito não cumpra compromissos — hipótese considerada provável nos bastidores —, Lira mantém nomes de reserva. O deputado Alfredo Gaspar poderia disputar o governo, enquanto Davi Filho entraria na corrida pelo Senado.

Ambos mantêm forte dependência da liderança de Lira, principal referência da federação Progressistas–União Brasil e possível controlador do Partido Liberal (PL) em Alagoas.

Além da força política, Lira controla o maior fundo eleitoral do estado, concentrado na federação Progressistas–União Brasil. Se passar a dominar também o PL em Alagoas, ampliará ainda mais o volume de recursos disponíveis para a disputa eleitoral.

JHC, por enquanto, diz a cada lado o que seus interlocutores querem ouvir. Mas, nesse ambiente político, amadorismo e excesso de esperteza raramente prosperam. Em algum momento terá de decidir. Para observadores mais experientes, o prefeito já perdeu o timing.

Ele tem força política, mas não é visto como um leão. Os sinais indicam que Arthur Lira pode levá-lo às cordas do ringue — ou, para quem prefere outra metáfora, JHC pode acabar sofrendo um xeque-mate.

*Historiador e jornalista

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