
Foto: Assessoria
Por Geraldo de Majella*
Com a entrada do vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) na disputa por uma vaga no Senado Federal em 2026, a tendência é de mudança na correlação de forças em Alagoas. No pleito, estarão em jogo duas das três cadeiras do estado, o que deve transformar a corrida pelo Senado no principal embate político dos próximos anos.
O campo da direita e da extrema-direita conta com dois nomes. De um lado, o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça, que adota discurso voltado ao eleitor bolsonarista. Embora se apresente como outsider, não se coloca de fato contra o “sistema”, como defendem setores da extrema-direita.
De outro, o deputado Arthur Lira, que representa setores conservadores e mantém forte influência política em Alagoas, mas enfrenta alto índice de rejeição entre parte do eleitorado. Entre os dois há divergências irreconciliáveis: Gaspar se posiciona ao lado de Flávio Bolsonaro, enquanto Lira tenta se equilibrar politicamente entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A candidatura de Ronaldo Lessa introduz um novo elemento na disputa e tende a elevar o grau de competitividade do processo eleitoral. Em levantamento inicial, divulgado antes mesmo de uma pré-campanha estruturada, 14% dos eleitores declararam intenção de voto em seu nome para o Senado — índice considerado relevante por analistas, sobretudo porque a candidatura ainda não entrou em fase plena de mobilização política.
No campo governista, Ronaldo Lessa passa a compor, ao lado do senador Renan Calheiros, uma chapa que tende a ganhar densidade eleitoral. Em centros urbanos como Maceió, que concentra cerca de um terço do eleitorado estadual, o ex-governador apresenta potencial competitivo, especialmente em uma dobradinha com Calheiros.
Esse potencial também se apoia em sua trajetória política. Lessa já foi prefeito de Maceió e governou Alagoas por dois mandatos, o que lhe garante elevado grau de reconhecimento entre os eleitores.
A composição governista reúne lideranças com forte presença institucional. O ministro Renan Filho, o senador Renan Calheiros, o governador Paulo Dantas e o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor, formam um bloco político com grande capacidade de articulação no estado.
A esse conjunto soma-se o peso político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja influência eleitoral segue relevante na formação do campo governista.
Nesse cenário, a candidatura de Ronaldo Lessa amplia o leque de opções e altera o equilíbrio de forças na disputa. Há em Alagoas uma parcela significativa do eleitorado que vota em candidaturas progressistas e de centro-esquerda. A chapa majoritária do campo governista — formada por MDB, PDT, PT, PV, PCdoB e PSD — é a que tem maior potencial para catalisar essa fatia do eleitorado na disputa pelo governo e pelo Senado em 2026.
*Historiador e jornalista





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