sábado, 04 julho 2026
Nublado
Maceió
25°C
Nublado
Nublado
Maceió
25°C
Nublado

Gestão de Roberto Campos Neto vira alvo após colapso bilionário do Banco Master

por | 21 mar, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

A derrocada do Banco Master, levada à liquidação extrajudicial pelo Banco Central no fim de 2025, consolidou um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro brasileiro. De acordo com reportagem do Portal Vermelho, o colapso foi resultado de uma combinação de fraudes estruturais e falhas prolongadas de supervisão que começaram ainda em 2019.

A origem do banco remonta à reconfiguração do antigo Banco Máxima. A mudança de controle, inicialmente barrada em gestões anteriores, acabou sendo aprovada no início da administração de Roberto Campos Neto, permitindo a entrada do empresário Daniel Vorcaro no comando da instituição. Anos depois, o grupo passaria a operar sob a marca Banco Master, com atuação agressiva no mercado de crédito.

Sinais de irregularidades, porém, começaram a surgir antes do colapso. Em 2023, denúncias formais encaminhadas ao Banco Central já apontavam operações suspeitas e inconsistências contábeis relevantes. O advogado Vladimir Timerman alertou para práticas envolvendo ativos de baixa qualidade e possível ocultação de participação societária ligada ao empresário Nelson Tanure.

Mesmo com comunicações posteriores da Polícia Federal, as suspeitas não avançaram internamente. Medidas adotadas à época foram consideradas tímidas e incapazes de conter o avanço das irregularidades. Na prática, o banco seguiu operando enquanto ampliava a exposição a ativos inflados e mecanismos de captação questionáveis.

A virada ocorreu apenas com a troca de comando no Banco Central. Já sob a presidência de Gabriel Galípolo, a autoridade monetária reconheceu a insolvência da instituição e decretou sua liquidação. A decisão coincidiu com a prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes envolvendo manipulação de balanços e captação irregular de recursos.

Os impactos financeiros são expressivos. Estimativas indicam prejuízos de pelo menos R$ 17 bilhões, evidenciando um modelo de negócios sustentado por distorções contábeis e ativos superavaliados. O caso também levantou dúvidas sobre a eficácia da regulação e os critérios adotados para autorizar e monitorar instituições financeiras.

No campo político, o episódio ganhou forte repercussão. Informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação mostram a frequência de encontros entre Vorcaro e integrantes do Banco Central durante a gestão anterior. Chamado a depor na CPI do Crime Organizado, Campos Neto não compareceu, respaldado por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o escândalo é didático: revela como brechas regulatórias e decisões políticas podem comprometer a solidez do sistema financeiro. A conta, agora, recai sobre mecanismos de proteção como o Fundo Garantidor de Créditos e reacende o debate sobre a responsabilidade de órgãos de controle diante de alertas ignorados.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *