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Um artigo publicado no blog Outras Palavras, assinado pelo economista Jeffrey D. Sachs, faz um duro alerta sobre a escalada de tensões envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. Segundo ele, as ações de Donald Trump e Benjamin Netanyahu revelam uma combinação perigosa de traços psicológicos e crenças que podem levar a uma catástrofe global.
De acordo com Sachs, ambos os líderes estariam conduzindo uma “guerra de agressão” contra o Irã, país com cerca de 90 milhões de habitantes, motivados por três fatores centrais: narcisismo maligno, sensação de poder ilimitado e convicções religiosas messiânicas.
O autor afirma que o chamado “narcisismo maligno” — conceito desenvolvido pelo psicanalista Erich Fromm — descreve indivíduos incapazes de empatia, movidos por paranoia e pela necessidade de eliminar inimigos reais ou imaginários. Sachs lembra que especialistas já haviam apontado esse perfil em Trump anos atrás.
Além disso, o texto destaca episódios recentes que, segundo o autor, evidenciam a ausência de limites morais. Entre eles, ataques a infraestruturas civis no Irã e declarações públicas celebrando ações militares, sem menção às vítimas.
Outro ponto central é a contestação das justificativas para o conflito. Sachs cita avaliações de órgãos de inteligência e da comunidade internacional indicando que não há evidências de que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares — o que enfraqueceria a alegação de autodefesa, única base legal para o uso da força segundo o direito internacional.
O artigo também chama atenção para o papel da religião no discurso político. Tanto Trump quanto Netanyahu, afirma Sachs, se apresentam como agentes de uma missão divina. O ex-presidente norte-americano já teria se descrito como “escolhido”, enquanto o premiê israelense utiliza referências bíblicas para justificar ações militares.
Para o economista, esse tipo de retórica elimina freios institucionais e morais, ampliando o risco de escalada violenta. Ele compara o cenário atual a momentos críticos da história, alertando para a possibilidade de repetição de crimes julgados no pós-guerra, como os definidos no Tribunal de Nuremberg.
Apesar do quadro alarmante, Sachs aponta que há esforços diplomáticos em curso envolvendo países como Paquistão, Turquia, Egito e Arábia Saudita, além de iniciativas multilaterais que buscam conter a crise.
O artigo conclui com um apelo: sem a intervenção de lideranças comprometidas com o direito internacional, o mundo pode se tornar vítima de decisões baseadas não em estratégia ou segurança, mas em ideologia, poder e crenças absolutas.
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