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Empresário preso por suspeita de elo com o PCC mantém contratos de R$ 141 milhões com governo de Goiás

por | 11 maio, 2026

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O empresário Adair Meira, de 63 anos, preso na última semana em Goiânia durante operação da Polícia Civil de São Paulo, é presidente da Fundação Pró-Cerrado, entidade que mantém contratos milionários com o governo de Goiás. Os acordos, firmados entre 2021 e 2025, somam R$ 141,5 milhões e envolvem a terceirização de serviços para a Secretaria de Economia estadual.

Segundo investigação obtida pelo UOL, Meira é apontado como um dos principais contatos de João Gabriel de Mello Yamawaki, identificado pela polícia como operador financeiro de um banco ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ligação entre os dois teria sido descoberta após análise de mensagens encontradas em celulares apreendidos na operação Decurio.

De acordo com os investigadores, empresas ligadas a Meira eram usadas para lavar dinheiro da facção criminosa por meio da mistura de recursos legais e ilegais. A Fundação Pró-Cerrado, que segue vinculada à Secretaria de Economia de Goiás, também passou a ser alvo das apurações.

A defesa do empresário nega qualquer relação com o crime organizado. Após a prisão, a fundação informou que Meira foi afastado das funções de presidente “por precaução”.

A atual gestão do governador Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que realiza a fiscalização regular dos contratos e que não há indícios de irregularidades envolvendo o governo estadual. Em nota, a administração informou ainda que a Controladoria-Geral do Estado abriu procedimento para apurar os contratos, mas não detalhou quando a investigação começou.

A Fundação Pró-Cerrado possui 12 contratos firmados com o governo goiano desde 2010, sendo quatro ainda em vigor. Dois deles foram renovados em 2021 e outros dois em 2022, já durante a gestão Caiado. O contrato mais recente foi assinado em 2025, com validade de um ano.

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) afirmou desconhecer qualquer suspeita envolvendo as empresas de Meira durante o período em que governou Goiás. Segundo ele, nunca houve alerta sobre possíveis irregularidades nos contratos mantidos com o empresário.

As investigações apontam que o esquema de lavagem utilizava boletos pagos por empresas de fachada ligadas ao PCC. Após os pagamentos, os valores eram sacados e devolvidos em dinheiro vivo, sob coordenação de João Gabriel.

A polícia também suspeita que grandes quantias eram transportadas entre estados em aeronaves fretadas, mecanismo que dificultaria o rastreamento dos recursos movimentados pelo grupo.

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