Uma força-tarefa entre pesquisadores do Projeto Meros do Brasil e do Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação dos Trópicos (PPG Dibict), da Universidade Federal de Alagoas, identificou uma grande concentração de meros no litoral alagoano. O registro é considerado raro no Nordeste e reforça os sinais de recuperação ambiental em áreas costeiras do estado.
Durante mergulhos realizados a cerca de 30 metros de profundidade, os pesquisadores encontraram 15 exemplares adultos da espécie, com tamanhos entre 1,6 e 2,3 metros de comprimento. O mero (Epinephelus itajara), conhecido como “senhor das pedras”, é considerado a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico, podendo atingir até 2,5 metros e ultrapassar os 400 quilos.
Criticamente ameaçado de extinção desde 2006, o peixe sofreu forte redução populacional nas últimas décadas em razão da pesca predatória, degradação dos habitats naturais e poluição dos oceanos. O lento ciclo reprodutivo da espécie também dificulta sua recuperação, já que os meros levam entre seis e oito anos para atingir a maturidade sexual.
Para o coordenador de gerenciamento costeiro do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, Ricardo César, o achado demonstra que ainda existem áreas ambientalmente preservadas em Alagoas.
“É um peixe de vida longa que precisa de um ambiente conservado, porque é um predador que se alimenta de diversas outras espécies. Esse registro demonstra que ainda existem condições ambientais favoráveis para a espécie no estado”, destacou.
O coordenador também comparou o caso ao reaparecimento do mutum-de-alagoas, ave que chegou a ser considerada extinta na natureza e voltou a ser registrada após ações de preservação ambiental e monitoramento científico.
“Assim como ocorre agora com os meros, o trabalho conjunto entre ciência, preservação ambiental e monitoramento da fauna mostra resultados importantes para espécies ameaçadas”, completou Ricardo César.
Além das ações de monitoramento marinho, o IMA/AL atua na reabilitação de animais silvestres para devolvê-los aos habitats naturais, contribuindo para a conservação da biodiversidade no estado.







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