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Especialista alerta para riscos de dietas criadas por IA entre adolescentes

por | 15 maio, 2026

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O avanço do uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) entre adolescentes tem acendido um alerta entre profissionais da saúde, especialmente quando a tecnologia é utilizada para criar dietas de emagrecimento. Segundo especialistas, planos alimentares gerados por plataformas de IA podem apresentar deficiências nutricionais e comprometer o desenvolvimento físico e emocional dos jovens.

Dados da pesquisa da Master of Code Global, divulgados em abril deste ano, mostram que 53% da população mundial já utiliza ferramentas de IA generativa. Entre os jovens da Geração Z, o índice chega a 70%, com destaque para buscas relacionadas à saúde e bem-estar.

Um estudo publicado em março de 2026 na revista científica *Frontiers in Nutrition* identificou que 31,4% dos estudantes do ensino médio entrevistados buscavam informações sobre alimentação saudável na internet, incluindo plataformas como o ChatGPT. Em contrapartida, apenas 10,5% afirmaram procurar orientação com médicos de família.

A pesquisa aponta que modelos de IA apresentaram falhas relevantes na elaboração de dietas para adolescentes, especialmente na oferta adequada de calorias e nutrientes. Em média, os planos alimentares gerados continham cerca de 700 calorias a menos por dia do que o recomendado para jovens em processo de emagrecimento.

Além da baixa ingestão calórica, os sistemas também demonstraram inconsistências na quantidade de proteínas, carboidratos e gorduras, podendo gerar recomendações inadequadas ou até prejudiciais em casos mais complexos.

Divulgação

Para a nutricionista clínica Ivanessa Cardoso, os riscos são ainda maiores na adolescência, fase em que o organismo exige maior aporte energético e nutricional devido ao crescimento físico, hormonal e cerebral.

“Dietas muito restritivas, com baixa ingestão calórica e nutrientes inadequados, podem comprometer o crescimento, causar perda de massa muscular, alterações hormonais, queda na imunidade, dificuldade de concentração e até desencadear transtornos alimentares”, afirma.

Segundo a especialista, a deficiência de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais pode provocar fadiga, irritabilidade, queda no rendimento escolar e dificuldades de memória e concentração. Ela também alerta para o risco de compulsão alimentar causado pelo excesso de restrição.

Em meninas, as dietas inadequadas podem provocar alterações menstruais. Já em ambos os sexos, há possibilidade de prejuízos ao metabolismo e ao desenvolvimento saudável.

Ivanessa Cardoso reforça que ferramentas de IA podem auxiliar no acesso à informação, mas não substituem avaliação clínica individualizada e acompanhamento profissional.

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