O senador Flávio Bolsonaro defendeu uma proposta alternativa aos projetos que tratam do fim da escala 6×1 no país. Durante reunião com integrantes do PL, em Brasília, nesta terça-feira (19), o parlamentar sugeriu a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para permitir o pagamento por hora trabalhada.
Segundo Flávio, a ideia é garantir maior flexibilidade aos trabalhadores sem extinguir direitos como décimo terceiro salário, férias e FGTS, que seriam pagos proporcionalmente à carga horária cumprida.
“Foi passada para nossa bancada essa sugestão, essa alternativa, que seria o trabalho remunerado pelas horas de trabalho, com a garantia de todos os direitos trabalhistas”, afirmou o senador.
A manifestação ocorre enquanto tramita no Congresso um projeto enviado pelo governo federal em regime de urgência constitucional propondo o fim da escala 6×1. O texto reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, assegura dois dias de descanso remunerado e mantém os salários.
Flávio Bolsonaro criticou a proposta do governo e afirmou que a medida pode provocar aumento do desemprego e dos custos para empresas e consumidores.
“Tenta vender para a população uma solução fácil que não vai resolver [os problemas de produtividade, empregabilidade e de qualidade de vida]. Vai gerar desemprego em massa”, declarou.
O senador argumentou ainda que o modelo de pagamento por hora permitiria aos trabalhadores escolher jornadas mais flexíveis. Segundo ele, a proposta poderia beneficiar especialmente mulheres com filhos pequenos.
“Com esta mudança legislativa, a mulher que tem filhos vai poder trabalhar, por exemplo, quatro horas”, disse.
A posição do parlamentar diverge do entendimento do governo federal, que defende a redução da jornada como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e reduzir desigualdades. O Ministério das Mulheres sustenta que o fim da escala 6×1 pode contribuir para uma divisão mais equilibrada das tarefas domésticas e do cuidado familiar.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto homens dedicam 11,7 horas.
Pesquisa da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados citada pela Agência Brasil aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial.







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