A investigação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sobre as fraudes e a liquidação do Banco Master, está revelando a avassaladora dimensão do golpe que atingiu o sistema financeiro nacional. Nesta terça-feira, 19, os senadores ouviram o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que disse ter a instituição concluído, em sindicância interna, que dois de seus diretores receberam vantagens indevidas para favorecer o Master.
Além de revelar o conluio dos ex-diretores do BC Paulo Sérgio de Souza e Beline Santana com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso pela fraude bilionária, o senador Renan Calheiros, presidente da Comissão, afirmou, durante a sessão da CAE, que o deputado federal Arthur Lira (PP/AL) teria recebido uma casa no valor de R$ 30 milhões, e dinheiro, para conduzir na Câmara Federal votações de emendas que favoreceram o Master.
Os dois diretores do BC, cujos nomes foram citados por Calheiros, prestaram serviços diversos aos Banco Master, estando inclusive na folha de pagamento daquela instituição. O Master foi liquidado extrajudicialmente, e teve suas atividades suspensas pelo Banco Central em novembro do ano passado.
A Comissão tem requisitado documentos sigilosos, inclusive dos institutos municipais de Previdência que colocaram dinheiro público no Banco Master. O objetivo é esclarecer todas as ações e omissões que resultaram no maior escândalo do sistema financeiro no mundo.
Segundo Renan Calheiros, o deputado Arthur Lira teria adquirido uma casa em área nobre de Brasília depois de ter defendido, na Câmara, a emenda parlamentar que ficou conhecida como emenda Hugo Lira. Essa emenda obrigou entidades de previdência privada, sociedades de capitalização e resseguradoras a investirem parte de suas reservas em créditos de carbono ou fundos ligados a esses ativos.

Deputado Arthur Lira nega envolvimento com o Banco Master e diz que é vítima de perseguição | Marina Ramos/Agência Câmara
Além da casa, Renan citou como pagamento recursos que permitiram a Lira comprar uma aeronave em sociedade com o empresário e lobista Nogueira Valverde de Moraes, conhecido como Léo Valverde. Foi do lobista que Arthur Lira comprou a casa citada pelo presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal.
O deputado federal Arthur Lira foi envolvido na investigação também por suspeita de pressionar órgãos de controle visando favorecer interesses de Daniel Vorcaro.
Lira nega qualquer envolvimento no caso Banco Master, e reage afirmando que as denúncias envolvendo seu nome além de falsas, representam perseguição política.








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