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JHC desafia a lógica tradicional da política alagoana

por | 4 jun, 2026

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Por Geraldo de Majella*

O pré-candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), tem mantido a extrema-direita e a direita alagoanas, lideradas por Alfredo Gaspar (PL) e Arthur Lira (PP), em compasso de espera ao adiar a definição de um acordo eleitoral para 2026.

JHC tem apostado em voo solo, como vem demonstrando ao conduzir uma estratégia que, para muitos, é arriscada. Faltam-lhe estrutura partidária, tempo de televisão e fundo eleitoral, instrumentos que sobram nos demais grupos.

O ex-prefeito insiste em não fechar alianças até ter certeza, amparado pela leitura das pesquisas, de que poderá atrair Alfredo Gaspar e Arthur Lira para o seu campo, ao contrário do que apostam os dois ansiosos políticos.

Há um detalhe importante nesse cálculo: JHC faz esse movimento de olho nos milionários fundos eleitorais do PL e do PP para sua campanha. Trata-se de uma estratégia de enxadrista que busca ir além do simples toma lá, dá cá da política. Seu principal capital político é a visibilidade que construiu e a popularidade que mantém em Maceió.

Lira, experiente em manobras eleitorais, talvez ainda não tenha compreendido que está diante de um novo tipo de outsider político, algo que Alagoas ainda não conheceu na era digital. Na era analógica, o precursor desse fenômeno foi Fernando Collor. Já Alfredo, neófito nesse terreno, mantém um perfil ligado ao discurso ideológico da extrema-direita.

JHC é um político jovem com os vícios e trejeitos da política tradicional. Pratica o fisiologismo, não demonstra compromisso com os resultados da gestão pública e, no limite, está disposto a gastar o que for possível dos recursos públicos para fortalecer e fixar sua imagem de gestor, sem maiores remorsos.

Há, porém, um detalhe que o diferencia de boa parte da velha classe política. Trata-se de um político hiperconectado, que transformou as redes sociais em sua principal ferramenta de comunicação. Sua habilidade nesse ambiente lhe permite dialogar diretamente com parcelas expressivas do eleitorado, construir narrativas próprias e preservar sua popularidade mesmo diante de críticas à sua gestão.

JHC é o político mais perigoso para o “sistema” e para a sociedade alagoana. É preciso observar que ele está jogando com a bola nos pés; quem parece cansado são Arthur Lira e Alfredo Gaspar.

*Historiador e jornalista

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