Por Pimenta Jr., no portal Vermelho
A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo completa 30 anos. Três décadas ocupando as ruas, disputando consciências e ampliando os limites da democracia brasileira.
Por isso, diante das recentes tentativas de atacar, judicializar e criminalizar a maior manifestação LGBTQIAPN+ do planeta, vale lembrar uma verdade simples: a Parada fica. Rubinho e Tarcísio saem.
Não se trata de uma provocação pessoal. Trata-se de compreender a história.
Governos passam. Mandatos terminam. Parlamentares surgem e desaparecem da vida pública. Mas os movimentos sociais que expressam demandas reais da sociedade permanecem. Foi assim com o movimento operário, com o movimento negro, com o movimento estudantil, com o movimento feminista e também com o movimento LGBTQIAPN+.
Os ataques à Parada revelam mais do que divergências políticas. Revelam o desconforto de setores conservadores diante da ampliação da democracia. Afinal, a Parada não representa apenas diversidade sexual e de gênero. Ela representa a entrada de sujeitos historicamente marginalizados no centro da vida política nacional.
A extrema direita compreendeu isso muito bem.
Por essa razão, escolheu a população LGBTQIAPN+ como um de seus principais inimigos políticos. Não porque representamos ameaça à sociedade, mas porque representamos uma ameaça ao projeto de sociedade que eles defendem.
Uma sociedade hierarquizada.
Uma sociedade onde mulheres tenham menos autonomia sobre seus corpos.
Uma sociedade onde pessoas LGBTQIAPN+ voltem ao silêncio.
Uma sociedade onde a religião seja utilizada como instrumento de poder político.
Uma sociedade onde a diferença seja tratada como desvio e não como parte da condição humana.
É exatamente por isso que os mesmos grupos que atacam a Parada são os que tentam restringir direitos reprodutivos de meninas vítimas de violência sexual. São os mesmos que atacam universidades, professores, artistas, movimentos populares e organizações da sociedade civil.
O alvo nunca foi apenas a população LGBTQIAPN+.
O alvo é a própria ideia de uma democracia plural.
A Parada chega aos seus 30 anos em um momento decisivo. O tema “Nas urnas e nas ruas” não poderia ser mais oportuno. A história ensina que direitos só avançam quando existe mobilização social e participação política.
Nenhuma conquista da população LGBTQIAPN+ foi presente de governantes ou concessão das elites.
Cada avanço foi resultado de organização, enfrentamento e luta.
Foi assim que conquistamos visibilidade.
Foi assim que conquistamos direitos.
E será assim que impediremos retrocessos.
Quando milhões de pessoas ocuparem a Avenida Paulista neste ano, estarão fazendo muito mais do que celebrando o orgulho. Estarão afirmando que não aceitaremos voltar para o armário político que a extrema direita tenta construir para o Brasil.
A Parada completa 30 anos porque sobreviveu ao preconceito, ao conservadorismo e ao ódio.
E sobreviverá também aos que hoje tentam atacá-la.
Porque a história dos movimentos populares é mais longa do que qualquer mandato.
A Parada fica.
Rubinho e Tarcísio saem.








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