Antes das convenções partidárias, o cenário das eleições de 2026 em Alagoas já reúne pelo menos quatro jornalistas entre os pré-candidatos: Alexandre Fleming e Lenilda Luna, da Unidade Popular (UP), Élida Miranda, do PT, e Wadson Régis, do Solidariedade. Entre eles, Wadson é o único que ingressa pela primeira vez na disputa por um mandato eletivo.
Os três primeiros chegam à campanha com pautas alinhadas às diretrizes de seus partidos. As pré-candidaturas da UP e do PT têm como eixos a defesa da redução da jornada de trabalho, da reforma agrária, do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da ampliação das universidades públicas.
Wadson Régis, por sua vez, decidiu construir sua pré-candidatura em torno de uma bandeira inédita nas disputas eleitorais em Alagoas: a defesa da construção de barragens na bacia do rio Mundaú para reduzir os impactos das enchentes que, há décadas, castigam municípios alagoanos.
O Mundaú nasce no Agreste pernambucano, na região da Serra do Gigante, próxima a Garanhuns, recebe as águas de diversos afluentes, entre eles o rio Canhoto, também de origem pernambucana, e forma uma bacia hidrográfica compartilhada entre Pernambuco e Alagoas. Em períodos de chuvas intensas, o grande volume de água proveniente da parte alta da bacia desce em direção ao território alagoano, provocando cheias de grandes proporções e sucessivos prejuízos às populações ribeirinhas.
Embora as inundações sejam um problema conhecido pela população da região, o assunto raramente ocupou espaço de destaque no debate político. As cheias sucessivas provocaram mortes, desalojaram milhares de famílias, destruíram moradias, comprometeram estradas, afetaram a produção agrícola e causaram prejuízos econômicos incalculáveis.
Ao transformar a construção de barragens em sua principal bandeira, Wadson leva ao debate eleitoral uma proposta voltada à prevenção de desastres naturais e à redução dos impactos das enchentes. A iniciativa envolve obras de infraestrutura hídrica capazes de regular a vazão do rio em períodos de chuvas intensas e minimizar os danos às cidades situadas ao longo da bacia do Mundaú.
Com essa proposta, Wadson Régis introduz um tema novo na campanha. Em vez de centrar sua pré-candidatura em pautas tradicionais da política partidária, a jornalista aposta em um problema regional que afeta diretamente milhares de moradores e que, até agora, não havia sido assumido como principal compromisso de um candidato a deputado estadual.
Mais do que uma proposta eleitoral, a defesa da construção de barragens na bacia do rio Mundaú tende a estimular o debate sobre políticas permanentes de prevenção de enchentes, segurança hídrica e planejamento regional. Trata-se de um tema recorrente na vida das populações ribeirinhas que, apesar da gravidade de seus impactos sociais e econômicos, permaneceu por décadas à margem das campanhas eleitorais em Alagoas.






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