Com mais de seis décadas de carreira, o ator Tony Ramos afirma que pouco se identifica com Otoniel, personagem que interpreta na novela “Quem Ama Cuida”, da Globo. Na trama, o aposentado conservador enfrenta dificuldades para aceitar a orientação sexual do neto, Mau Mau, papel de João Victor Gonçalves.
Em entrevista ao portal F5, Tony destacou que a novela aborda temas atuais como intolerância, preconceito e conflitos geracionais, presentes em muitas famílias brasileiras. Para o ator, o afeto não pode servir de justificativa para atitudes discriminatórias.
“Eu olho pela janela da vida e espio sem julgar o próximo. Otoniel é um brasileiro que não tem nada a ver comigo”, afirmou.
Segundo o artista, o personagem representa uma parcela da sociedade que, embora movida por convicções pessoais, encontra dificuldades para compreender realidades diferentes das suas.
“Ele ama o neto, mas não entende plenamente a alegria e as escolhas dele. O fascinante é que a novela coloca em discussão a intolerância, o preconceito, o pré-julgamento. Isso pode até nascer do afeto, mas continua sendo algo que precisa ser enfrentado e superado”, disse.
Tony Ramos ressaltou que a reflexão proposta pela novela não se limita às gerações mais velhas. Para ele, a intolerância também está presente entre os jovens e precisa ser debatida de forma ampla.
“A novela funciona como um alerta para todos nós. Hoje é importante discutir esses temas, e não existe espaço melhor do que uma novela, capítulo após capítulo, para provocar reflexão sobre quem somos e como tratamos o próximo”, avaliou.
Religioso, o ator também falou sobre fé e respeito às diferenças. Ele afirmou rejeitar a ideia de verdades absolutas e disse se inspirar nos ensinamentos de Jesus Cristo.
“Cristo foi um homem de tolerância, de afeto e de acolhimento. Você não é obrigado a ser igual ao outro, mas precisa compreender, respeitar e apoiar”, declarou.
Durante a entrevista, Tony também comentou a proximidade da Copa do Mundo de 2026. Torcedor declarado da seleção brasileira, ele relembrou a conquista do primeiro título mundial, em 1958, e manifestou confiança no trabalho do técnico Carlo Ancelotti.
O ator ainda defendeu a presença de Neymar na Copa do Mundo, destacando a experiência e a capacidade técnica do atacante.
“Levaria, sim. Pela experiência, pela criatividade e também pelo que representa para as novas gerações. Com Neymar em campo, você impõe outro tipo de respeito ao adversário”, afirmou.








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