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Dor de barriga frequente em crianças pode indicar problemas além de viroses, alerta pediatra

por | 1 jul, 2026

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A dor de barriga é uma das queixas mais comuns na infância, mas nem sempre está relacionada a uma virose. Quando o sintoma se repete ou é acompanhado por outros sinais, pode indicar problemas de saúde que necessitam de avaliação médica, como prisão de ventre, intolerâncias alimentares, refluxo gastroesofágico, doença celíaca, infecção urinária e até alterações emocionais.

Segundo a pediatra Karina Pinheiro, professora da Pós-Graduação da Afya Educação Médica Maceió, alguns sintomas exigem atenção imediata dos pais e responsáveis.

“Dor muito intensa ou que não melhora com medidas simples, perda de peso, apetite muito reduzido, prisão de ventre e queixas urinárias associadas são sinais de que a criança precisa ser avaliada por um médico”, afirma.

A especialista explica que a frequência das crises também é um indicativo importante. Quando a dor ocorre pelo menos uma vez por semana ou se repete três ou mais vezes em um período de três meses, comprometendo a rotina da criança, a investigação médica é recomendada.

“Se a dor acontece uma vez por semana ou mais, ou se houve três ou mais episódios nos últimos três meses que atrapalham a escola, o sono ou as atividades diárias da criança, é importante realizar uma investigação médica”, orienta.

Entre as principais causas das dores abdominais recorrentes estão a constipação intestinal, alergias e intolerâncias alimentares, doença celíaca, infecções urinárias, parasitoses, refluxo gastroesofágico e fatores emocionais.

A prisão de ventre, por exemplo, pode provocar dor ao evacuar, fezes endurecidas, distensão abdominal e também afetar o comportamento infantil. “Algumas crianças passam a segurar as fezes por vergonha ou medo, tornando o quadro ainda pior. Isso pode causar irritabilidade, prejudicar o sono e até comprometer o desempenho escolar”, destaca a pediatra.

Hábitos inadequados também favorecem o surgimento das dores. Alimentação pobre em fibras, consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ingestão elevada de leite, sedentarismo, ansiedade, estresse, refeições irregulares e uso frequente de anti-inflamatórios estão entre os principais fatores de risco.

Além disso, alguns sintomas associados indicam a necessidade de atendimento imediato. Vômitos persistentes, especialmente esverdeados, presença de sangue nas fezes ou no vômito, febre alta, sinais de desidratação, distensão abdominal persistente e dor intensa são considerados sinais de alerta.

As emoções também podem desencadear dores abdominais em crianças. Situações de ansiedade e estresse, como provas, apresentações escolares ou até a ida à escola, podem provocar o desconforto.

“Quando a dor melhora ao ficar em casa ou durante momentos de distração e a criança relata medos e preocupações, podemos pensar em um componente emocional. Porém, é fundamental descartar doenças físicas, principalmente na presença de sinais de alarme, como febre alta, sangue nas fezes ou alterações nos exames”, explica.

Para a especialista, os pais não devem ignorar as queixas recorrentes dos filhos. “Minha principal orientação é não minimizar as queixas. Sempre que as dores forem repetitivas ou interferirem nas atividades diárias, a criança deve ser levada para avaliação médica. Observar e registrar os sintomas também ajuda muito na investigação e no diagnóstico precoce”, conclui.

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