Com a realização de grandes competições de futebol, aumenta a atenção para um dos principais desafios enfrentados pelos atletas: as lesões. O esporte exige alta intensidade física e frequente contato entre os jogadores, fatores que elevam o risco de problemas que podem variar de entorses a lesões graves, capazes de afastar o atleta dos gramados por vários meses.
Segundo Thauan Ferro, fisioterapeuta e professor do curso de Fisioterapia da UNINASSAU Maceió, as ocorrências mais comuns envolvem entorses de tornozelo, lesões musculares na coxa — principalmente nos músculos posteriores e adutores — e problemas no joelho.
“Entre elas, a ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) merece atenção especial por exigir um longo período de recuperação e afastamento das atividades esportivas. Além do impacto físico, pode comprometer o desempenho do atleta a longo prazo”, explica.
O especialista destaca que o risco de lesão é resultado da combinação de diversos fatores. Entre os internos estão o excesso de treinamento, fadiga muscular, privação do sono, alimentação inadequada e baixo condicionamento físico. Já os fatores externos incluem gramados em más condições, clima, uso de equipamentos inadequados e o próprio contato físico característico das partidas.
Além disso, o corpo costuma apresentar sinais de alerta antes que uma lesão se agrave. “Dor persistente, desconforto durante movimentos específicos, sensação de instabilidade, inchaço ou redução do desempenho são alguns dos principais alertas. Ao perceber qualquer um desses sintomas, o ideal é procurar avaliação profissional o mais cedo possível para evitar agravamentos”, orienta.
Entre as lesões que demandam maior tempo de recuperação, a ruptura do LCA está entre as mais conhecidas no futebol. Nesses casos, o retorno aos gramados pode levar de seis a nove meses, ou até mais, dependendo da evolução do tratamento.
Para reduzir os riscos, Thauan ressalta a importância do aquecimento antes da prática esportiva. “O aquecimento é uma etapa fundamental para preparar o organismo para o esforço. Ele aumenta a temperatura muscular, melhora a circulação sanguínea e favorece a coordenação motora, reduzindo o risco. Já os alongamentos devem ser utilizados de forma estratégica, respeitando o momento da atividade e as necessidades individuais”, afirma.
Outro aspecto importante é a escolha da chuteira adequada. Um calçado compatível com o tipo de gramado proporciona maior estabilidade, melhor distribuição das cargas e aderência ao solo, diminuindo as chances de entorses e outras lesões.
Os cuidados também devem fazer parte da rotina dos praticantes amadores. De acordo com o fisioterapeuta, embora o nível de competição seja diferente, o organismo responde da mesma forma aos esforços físicos. Como muitos conciliam o esporte com trabalho e compromissos pessoais, o período de recuperação costuma ser insuficiente, aumentando o risco de lesões.
“Dormir bem, manter uma alimentação equilibrada, respeitar os limites do corpo e realizar acompanhamento profissional quando necessário são cuidados fundamentais para qualquer praticante”, reforça.
O professor destaca ainda que a fisioterapia esportiva não atua apenas na recuperação de lesões, mas também na prevenção e na melhora do desempenho físico. “O profissional atua na prevenção, identificando fatores de perigo e déficits funcionais que podem comprometer o desempenho. Além disso, trabalha em conjunto com a equipe interdisciplinar para otimizar a capacidade física, promover movimentos mais eficientes e contribuir para uma prática esportiva mais segura e duradoura”, conclui.






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