A perda progressiva de força e massa muscular, conhecida como sarcopenia, vai muito além de um problema estético. A condição pode comprometer a autonomia, aumentar o risco de quedas, internações e até de morte, sendo mais frequente com o avanço da idade. Especialistas também alertam para fatores que têm contribuído para o aumento dos casos, como o uso inadequado de canetas emagrecedoras e as alterações hormonais provocadas pela menopausa.
Segundo o médico especialista em emagrecimento Caio Galvão, a sarcopenia é influenciada por diversos fatores, entre eles idade avançada, sedentarismo, doenças crônicas, desnutrição e deficiência hormonal.
“A sarcopenia não afeta apenas a questão de ser forte ou fraco, mas também está ligada ao risco de internações, ao número de quedas e à vitalidade do corpo. Hoje o músculo já é considerado um órgão endócrino, que participa do metabolismo e de diversas funções do organismo”, explica.
Menopausa favorece perda muscular
Entre as mulheres, a menopausa representa um período de maior vulnerabilidade para a perda de massa muscular devido à redução dos níveis de estrogênio, hormônio importante para a manutenção da massa magra, da saúde óssea e do metabolismo.
Além da diminuição hormonal, essa fase costuma ser acompanhada por redução do gasto energético, aumento da gordura corporal e alterações na sensibilidade à insulina, fatores que favorecem mudanças na composição corporal.
“O estrogênio funciona como um protetor do músculo e auxilia na reparação muscular. Com sua redução, as células musculares passam a morrer com mais facilidade, em um processo chamado apoptose. Mulheres que não fazem reposição hormonal podem perceber fraqueza, indisposição e dificuldade para realizar tarefas simples, como subir escadas ou carregar sacolas”, afirma o especialista.
Uso inadequado de canetas emagrecedoras preocupa
Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras. Embora sejam eficazes na redução do peso corporal, elas também podem provocar perda significativa de massa magra quando utilizadas sem orientação médica, alimentação adequada e prática de exercícios.
De acordo com Caio Galvão, estudos indicam que, sem treinamento de força e ingestão suficiente de proteínas, cerca de 25% do peso eliminado durante o tratamento corresponde à massa muscular.
“Sem acompanhamento, o paciente pode perder o equivalente a cerca de 20 anos de massa muscular, o que traz consequências importantes para a saúde. Antes de iniciar esse tipo de tratamento é fundamental avaliar o estado hormonal e nutricional e verificar se já existe deficiência muscular. Só então é possível elaborar um plano terapêutico que preserve a massa magra”, destaca.
Exercício e alimentação são fundamentais
A prevenção da sarcopenia está baseada em três pilares: prática regular de exercícios físicos, alimentação rica em proteínas e acompanhamento médico e nutricional.
O treinamento de força é considerado a principal estratégia para estimular a manutenção e o crescimento das fibras musculares. Já a alimentação deve garantir quantidade adequada de proteínas, vitaminas e minerais, além de bons hábitos de sono e controle do estresse.
“Em geral, recomenda-se consumir entre 1 e 2 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia, ou cerca de 25 a 30 gramas por refeição. Quando isso não é possível apenas com a alimentação, a suplementação pode ser indicada, sempre com orientação profissional. O nutricionista é parte essencial desse tratamento”, explica.
O especialista também alerta que praticantes de esportes de resistência, como corrida, podem apresentar perda muscular quando não associam a atividade ao fortalecimento dos músculos.
“É comum corredores desenvolverem lesões ortopédicas decorrentes do enfraquecimento muscular. Manter os pilares da prevenção e realizar acompanhamento médico ajuda não apenas a evitar a sarcopenia, mas também a promover um envelhecimento mais saudável e com mais qualidade de vida”, conclui.






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