domingo, 05 julho 2026
Nuvens dispersas
Maceió
24°C
Nuvens dispersas
Nuvens dispersas
Maceió
24°C
Nuvens dispersas

Relatório aponta que 86% dos mortos em ações policiais em 2025 eram negros

por | 5 jul, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

A letalidade policial voltou a crescer no Brasil em 2025 e atingiu, principalmente, a população negra e jovem. É o que aponta a sétima edição do relatório Pele Alvo, da Rede de Observatórios de Segurança, segundo o qual 86% das pessoas mortas em intervenções policiais nos nove estados monitorados eram negras e 57% tinham entre 18 e 29 anos.

Ao todo, foram registradas 4.330 mortes decorrentes de ações policiais no ano passado, alta de 6,4% em relação a 2024. Nos últimos sete anos, o número de vítimas chegou a 28.799.

O levantamento reúne dados oficiais das secretarias de Segurança Pública de Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Entre os estados analisados, o Amazonas apresentou a maior proporção de vítimas negras, com 96% das mortes. Pernambuco e Bahia aparecem em seguida, com 94%, e o Pará, com 93%.

Quando considerada a taxa de mortes por 100 mil habitantes, a Bahia registra o maior índice entre a população negra, com 11 mortes, enquanto entre os brancos a taxa é de 2,9. Pará e Rio de Janeiro também apresentam diferenças significativas entre os dois grupos.

O relatório destaca ainda que os jovens permanecem como as principais vítimas da violência policial. Pessoas de até 29 anos responderam por quase 65% das mortes registradas em 2025, incluindo 310 adolescentes entre 12 e 17 anos.

“O traço mais cruel e inadmissível da letalidade estatal reside na interrupção precoce e violenta do amanhã de uma geração que mal começou a ser desenhada. O escândalo de 310 mortes de garotos de 12 a 17 anos nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios expõe uma realidade estarrecedora que precisa ser colocada definitivamente no centro das atenções”, afirma o documento.

A publicação também avalia que a concentração das mortes entre jovens negros reflete um modelo de segurança pública baseado na repressão e na letalidade. Segundo o relatório, “longe de ser um mero efeito colateral ou um desvio burocrático, a aniquilação de vidas tão jovens por agentes de segurança pública consolida-se como a expressão mais grave de uma política de Estado racista e falida, focada na produção da morte em vez da preservação da vida”.

São Paulo registrou 834 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025. No estado, pessoas negras representam 65% das vítimas, embora correspondam a cerca de 40% da população. Já no Rio de Janeiro foram contabilizadas 800 mortes, das quais 88% tiveram como vítimas pessoas negras. O estado também concentrou a maior chacina policial registrada no período analisado, ocorrida nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 122 mortes.

Na Bahia, estado com o maior número absoluto de mortes por intervenção policial entre os monitorados, foram registradas 1.570 vítimas em 2025. Desse total, 94% eram negras. O relatório também aponta crescimento da letalidade policial no Ceará e aumento das ocorrências no interior do Amazonas.

Os pesquisadores afirmam que a política de combate às drogas continua sendo utilizada como justificativa para ações de repressão que, segundo o estudo, ampliam o encarceramento, a militarização e a letalidade, sem reduzir os índices de violência.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *