A morte da cantora Bonnie Tyler, aos 75 anos, após complicações de uma perfuração intestinal, voltou a chamar atenção para a gravidade desse tipo de quadro, que pode ter diferentes causas e exige atendimento médico imediato. A artista morreu na última quarta-feira (8), depois de cerca de dois meses internada em um hospital de Portugal.
Segundo Henrique Dametto, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein, a apendicite está entre as causas mais comuns de perfuração intestinal. A doença ocorre quando o apêndice, estrutura ligada ao início do intestino grosso, sofre inflamação e infecção, geralmente após a obstrução por um fecalito, pequeno acúmulo de fezes endurecidas.
Sem tratamento, a inflamação pode evoluir até a ruptura do apêndice.
“Não é que a apendicite leve a uma perfuração intestinal. O apêndice é um pedaço do intestino e, se ele perfura, isso já é uma perfuração intestinal”, explica o médico.
Quando ocorre a perfuração, bactérias e conteúdo intestinal podem atingir a cavidade abdominal, provocando uma infecção localizada que, nos casos mais graves, pode se espalhar pelo organismo. A evolução pode causar queda da pressão arterial, choque séptico, insuficiência de órgãos e, eventualmente, levar à morte.
Apesar dos riscos, a maioria dos casos de apendicite é diagnosticada antes da perfuração. Nesses pacientes, a retirada cirúrgica do apêndice costuma resolver o problema, com internação de curta duração.
Os principais sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e progressiva, que normalmente começa de forma difusa e depois se concentra no lado inferior direito do abdômen, além de febre, perda de apetite, náuseas e vômitos.
“Se a dor for progressiva, associada a mal-estar e febre, o ideal é procurar atendimento em até 12 horas, no máximo 24 horas”, orienta Dametto.
Além da apendicite, a perfuração intestinal também pode ser causada por diverticulite, tumores, doenças inflamatórias intestinais, como colites, e colite isquêmica, provocada pela redução do fluxo sanguíneo para parte do intestino.
O tratamento, na maioria das vezes, exige cirurgia de urgência para reparar ou retirar o segmento comprometido do intestino. Em situações mais graves, o paciente pode precisar de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) para controlar a infecção e tratar possíveis falhas de órgãos.





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