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Projeto transforma bibliotecas em espaços de combate à violência de gênero

por | 26 jul, 2026

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Mais do que locais de acesso a livros e informações, as bibliotecas podem funcionar como espaços de conscientização, diálogo e formação do pensamento crítico. Com essa proposta, a pesquisadora Luciane Cavalcante criou o projeto Medeia.Info, uma iniciativa de mediação cultural voltada ao enfrentamento da violência de gênero.

A ideia surgiu a partir da necessidade de ampliar o papel das bibliotecas na sociedade. Segundo Luciane, disponibilizar informações sobre temas como feminicídio e violência contra a mulher é importante, mas é preciso criar formas de estimular a reflexão e o uso desse conhecimento.

“A gente precisa entender que o acesso à informação tem que também vir potencializado de ferramentas para estruturar essa informação para um uso. Então, por exemplo, eu posso colocar livros que falam sobre feminicídio, que falam sobre violência, mas o que eu posso fazer de atividade dentro das bibliotecas?”, explicou.

Formada em biblioteconomia, a pesquisadora conta que o interesse pelo tema começou durante sua atuação acadêmica, após uma provocação feita por uma estudante sobre o papel das bibliotecas comunitárias no combate à violência de gênero. A partir daí, passou a desenvolver estudos relacionados às perspectivas feministas e de gênero.

O Medeia.Info promove palestras, cursos e debates para profissionais que atuam em bibliotecas e espaços culturais. As atividades buscam preparar esses trabalhadores para identificar situações relacionadas à violência de gênero e desenvolver ações educativas de prevenção e conscientização.

Um dos focos do projeto são as bibliotecas escolares, especialmente diante do crescimento de conteúdos misóginos direcionados a adolescentes nas redes sociais. Para Luciane, esses espaços podem ajudar crianças e jovens a desenvolverem senso crítico por meio de atividades educativas e criativas.

“Por que não colocar para os adolescentes para criarem um jogo de enfrentamento?”, questiona a pesquisadora, ao defender o uso de ferramentas lúdicas para abordar o tema.

Ela destaca, no entanto, que muitas bibliotecas escolares ainda enfrentam dificuldades estruturais e precisam de apoio para ampliar esse tipo de atuação. “Trabalhar com as crianças é importantíssimo, mas o bibliotecário não vai conseguir fazer isso sozinho”, afirmou.

Vinculado ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), com apoio de instituições como CNPq e Faperj, o projeto também atua na divulgação de pesquisas acadêmicas em linguagem mais acessível, com participação de profissionais de áreas como serviço social, psicologia e direito.

As ações presenciais incluem cursos de extensão e atividades na Biblioteca Parque Estadual, no Rio de Janeiro. A proposta é ampliar a iniciativa para bibliotecas escolares, universitárias e comunitárias, respeitando as necessidades de cada local.

“Elas partem da própria necessidade daquela comunidade, é uma construção social daquela comunidade”, concluiu Luciane.

Por Agência Brasil

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