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Pesquisador da Ufal alerta que combate à poluição plástica exige redução da produção e do consumo

por | 4 ago, 2026

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O plástico revolucionou setores como a medicina e a indústria, mas seu uso indiscriminado transformou o material em um dos principais desafios ambientais da atualidade. O alerta é do pesquisador Robson Santos, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que defende ações voltadas não apenas ao descarte adequado, mas também à redução da produção e do consumo de plásticos, especialmente os de uso único.

O tema ganha destaque durante a campanha global Julho Sem Plástico, criada para conscientizar a população sobre os impactos da poluição causada por esse tipo de resíduo. Segundo o pesquisador, a durabilidade do material, que representa uma vantagem em diversas aplicações, tornou-se um problema quando passou a ser empregada na fabricação em larga escala de produtos descartáveis.

Divulgação

“Pegamos um produto resistente e leve e passamos a utilizá-lo para fabricar, em massa, objetos descartáveis e de uso único, o que rapidamente favoreceu seu acúmulo e dispersão no ambiente.”

Robson Santos é um dos autores do artigo The Effects of Plastic Pollution on Biodiversity, publicado em junho e escolhido como capa da edição de julho da revista científica Nature Reviews Biodiversity, do grupo Nature Portfolio. O estudo reúne pesquisadores de diferentes países e analisa os impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade.

De acordo com o pesquisador, a presença do plástico já compromete ecossistemas terrestres e aquáticos, afetando diretamente a fauna por meio da ingestão de resíduos e de alterações na saúde dos animais.

“Hoje, já temos diversos estudos mostrando o impacto do plástico sobre a biodiversidade, seja por mortalidade direta causada pela obstrução do trato digestivo, seja por impactos crônicos à saúde, como danos celulares, alterações no desenvolvimento, no crescimento e na reprodução.”

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Ele destaca que espécies ameaçadas de extinção podem sofrer consequências ainda mais severas, principalmente em regiões com alta concentração de resíduos plásticos, e afirma que a vulnerabilidade varia conforme características biológicas e comportamentais de cada animal.

Produção crescente e baixa reciclagem

Segundo o pesquisador, a produção mundial de plástico já ultrapassa 516 milhões de toneladas por ano, sendo cerca de 40% destinada a produtos de uso único. O Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores geradores de resíduos plásticos do planeta.

Apesar da importância da reciclagem, Robson Santos afirma que ela, sozinha, não resolve o problema. Menos de 10% do plástico produzido no mundo é reciclado, enquanto, no Brasil, esse índice gira em torno de 1%.

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“A destinação correta e a reciclagem são ações importantes, mas, para redução da poluição por plástico, precisamos encarar o problema desde a produção até o descarte. Precisamos reduzir a produção e o seu uso indiscriminado.”

O pesquisador explica ainda que boa parte dos materiais reciclados passa por um processo conhecido como downcycling, no qual o plástico dá origem a produtos de menor valor agregado, dificultando sua reutilização em larga escala.

Plano para Alagoas

Além das pesquisas acadêmicas, o grupo da Ufal trabalha na elaboração de uma proposta para criação de um plano estadual de combate à poluição por plástico em Alagoas. A iniciativa pretende orientar políticas públicas baseadas em evidências científicas para reduzir os impactos ambientais do material.

Para Robson Santos, mudanças estruturais dependem de políticas que incentivem uma economia circular, mas também passam por atitudes individuais. Ele cita estudos que mostram que o simples aumento de resíduos plásticos em praias amplia significativamente a ingestão desse material por tartarugas marinhas, reforçando a importância de reduzir o consumo de itens descartáveis e dar a destinação correta aos resíduos.

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