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Renda do 1% mais rico é 31,5 vezes maior que a dos 50% mais pobres no Brasil

por | 12 ago, 2026

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A melhora de indicadores como emprego, renda média, pobreza e segurança alimentar convive com um cenário persistente de desigualdade no Brasil. É o que revela a edição 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, elaborada em parceria com o Dieese e divulgada nesta quarta-feira (12).

Segundo o levantamento, a renda média do 1% mais rico da população brasileira é 31,5 vezes maior que a dos 50% mais pobres. O dado mostra que, apesar dos avanços registrados em diferentes áreas, a distribuição dos ganhos econômicos continua concentrada.

A análise aponta que 71% dos indicadores avaliados apresentaram melhora no último ano. Outros 16% pioraram e 13% permaneceram estáveis. Entre os resultados positivos estão a redução do desemprego, o aumento da renda média e a queda da insegurança alimentar.

Em 2025, o rendimento médio real dos brasileiros chegou a R$ 3.376, alta de 5,3% em relação ao ano anterior. A evolução, porém, não ocorreu de maneira uniforme entre os diferentes grupos da população.

A renda média dos homens cresceu 5,8%, enquanto a das mulheres avançou 4,8%. Com isso, o rendimento feminino correspondeu a 72,2% do masculino.

A desigualdade também aparece de forma mais acentuada quando são considerados recortes raciais e de gênero. O rendimento médio das mulheres negras foi de R$ 2.184, enquanto o dos homens não negros chegou a R$ 5.172 — uma diferença de 57,8%.

Diferenças regionais

A concentração de renda varia entre as regiões brasileiras. No Sudeste, a renda do 1% mais rico é 30,3 vezes superior à dos 50% mais pobres. Já o Sul apresentou a menor diferença, com uma razão de 21,8 vezes.

O Centro-Oeste foi a região onde a desigualdade mais aumentou em relação a 2024. A proporção passou de 25 para 29,3 vezes. Nordeste e Sul, por outro lado, registraram redução do indicador.

O relatório destaca que a distância entre os extremos da distribuição de renda aumentou 1,3 ponto percentual em relação a 2024, indicando que os avanços econômicos não foram suficientes para alterar de forma significativa a concentração de riqueza.

Fome diminui, mas desigualdade permanece

Outro ponto de melhora apontado pelo estudo é a segurança alimentar. Entre 2023 e 2024, a parcela da população vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% para 7,7%.

O resultado é associado à retomada de políticas públicas de combate à fome. Ainda assim, os efeitos não foram distribuídos igualmente.

No recorte racial e de gênero, mulheres negras apresentaram índice de insegurança alimentar moderada ou grave de 10%, mais que o dobro dos 4,6% registrados entre mulheres não negras. Entre os homens, a diferença também aparece: 9,7% entre negros contra 4,7% entre não negros.

O Norte concentra o pior cenário regional, com 14,9% da população vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave. No Sul, o índice é de 3,7%.

Os dados de desnutrição infantil também revelam diferenças. O indicador caiu para 3,4% no ano passado, mas atingiu 4% das crianças negras e 7,3% das indígenas, contra 3,3% entre crianças não negras.

Avanços não eliminam desigualdade

O relatório também destaca a ampliação da capacidade de redistribuição de renda proporcionada pela isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. A medida, no entanto, é apontada como insuficiente para reverter sozinha a concentração de renda existente no país.

O diagnóstico apresentado pelo Observatório mostra, portanto, um cenário de avanços sociais importantes, mas com uma contradição: o Brasil consegue melhorar indicadores de emprego, renda e segurança alimentar sem, na mesma proporção, reduzir a distância entre os brasileiros mais ricos e os mais pobres.

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