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Duas mulheres e um sinal de renovação na esquerda alagoana

por | 6 out, 2026

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Por Geraldo de Majella*

As eleições para deputado estadual em Alagoas fizeram emergir das urnas duas mulheres de esquerda com perfis distintos, mas com atuação política marcada pela defesa das políticas públicas, pelas questões de gênero e raça, pelo combate à violência e com um discurso incisivo contra a extrema direita. Teca Nelma, vereadora de Maceió pelo PT, foi eleita para a Assembleia Legislativa com 44.619 votos. Alycia da Bancada Negra, também do PT, obteve 10.221 votos e ficou como suplente.

A força eleitoral das duas na capital chama atenção. Teca recebeu 30.252 votos em Maceió, correspondentes a 67,80% de sua votação estadual. Nos demais municípios, obteve 14.367 votos, ou 32,20%. Alycia concentrou ainda mais sua votação na capital: dos 10.221 votos, 7.383 foram obtidos em Maceió, o equivalente a 72,23%. Os outros 2.838 votos vieram do interior.

Os números revelam trajetórias diferentes. Teca chega à Assembleia depois de dois mandatos como vereadora de Maceió e de uma base eleitoral consolidada na capital. Alycia percorreu outro caminho, construindo sua candidatura a partir de uma militância associada às pautas de gênero, raça e da população LGBTQIA+. Sua votação, distribuída também por municípios do interior, mostra que esse discurso encontrou receptividade para além da capital.

É nesse encontro de trajetórias que os resultados podem ser lidos como um sinal de renovação da esquerda alagoana. A política institucional continua sendo ocupada por militantes formados nas organizações tradicionais, mas novas lideranças chegam trazendo pautas que ganharam centralidade no debate público: combate ao racismo, igualdade de gênero, diversidade e representação de grupos historicamente sub-representados.

Não se trata de afirmar que uma geração esteja substituindo outra. O que as urnas revelam é a convivência de diferentes formas de militância e representação dentro do campo progressista. A esquerda também se transforma quando novas lideranças encontram espaço eleitoral e quando temas antes secundários passam a ocupar lugar central na disputa política.

Teca e Alycia representam, portanto, duas experiências distintas. Uma chega ao Legislativo estadual depois de consolidar uma trajetória parlamentar; a outra, ainda sem mandato, alcança uma votação que lhe garante visibilidade política. Juntas, receberam 37.635 votos em Maceió.

Mais do que os números isoladamente, o desempenho eleitoral das duas mulheres registra um movimento que merece ser acompanhado: a renovação da representação da esquerda passa também pela presença de novas lideranças, novas pautas e novas formas de militância política.

*Jornalista e historiador

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