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Filme brasileiro indicado ao Oscar aborda impactos de barragens e perda de memória

por | 30 set, 2026

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Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027, o filme “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, transforma os impactos provocados por barragens em uma história sobre memória, violência familiar e vínculos afetivos.

Ambientado no interior do Ceará, o longa acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino criado pela avó Batista, vivida por Teca Pereira. A rotina dos dois muda quando a mulher é diagnosticada com Alzheimer. Diante da possibilidade de perder a avó e precisar morar com o pai, descrito na trama como um homem violento e machista, o garoto passa a enfrentar o medo de ficar desprotegido.

A relação entre Gugu e Batista é um dos elementos centrais da produção. Para o diretor, a avó representa para o menino a própria ideia de casa, proteção e pertencimento.

A perda da memória provocada pelo Alzheimer encontra um paralelo na história das comunidades atingidas por barragens. No filme, a inundação de uma antiga cidade funciona como metáfora para o desaparecimento de lugares, lembranças e relações construídas ao longo de gerações.

Barragens como símbolo

Natural de Russas, no interior do Ceará, Allan Deberton afirma que a experiência pessoal e as referências do sertão estão presentes na construção do filme. O roteiro é assinado por André Araújo, também nascido na região.

Segundo o diretor, a produção parte de experiências ligadas a lugares, famílias e memórias que fazem parte do universo dos realizadores. O sentimento de não pertencimento e a presença de estruturas familiares conservadoras também aparecem na trajetória dos personagens.

A ideia de abordar as barragens surgiu a partir de uma experiência vivida pelo roteirista durante uma viagem ao Rio Grande do Norte. Na ocasião, ele teria observado os efeitos dessas estruturas sobre a paisagem e a vida das comunidades.

Deberton ressalta que o filme não pretende apresentar uma condenação das barragens. A produção reconhece a importância dessas estruturas em uma região historicamente afetada pela seca, mas explora as consequências sociais provocadas pela retirada de famílias de seus territórios.

A mudança forçada pode afetar moradias, patrimônios, relações familiares e referências afetivas. É justamente essa dimensão humana que o filme utiliza como elemento dramático.

Memória e família

A relação entre a barragem e o Alzheimer é construída de forma simbólica. Enquanto a água modifica ou encobre fisicamente um território, a doença provoca o apagamento gradual das lembranças de Batista.

Nesse cenário, recuperar histórias do passado também significa reconstruir a identidade da família de Gugu e compreender a trajetória das mulheres que fazem parte de sua vida.

A produção coloca essas personagens no centro da narrativa. Avó, mãe e outras figuras femininas são apresentadas como mulheres que enfrentam estruturas familiares e sociais adversas para proteger seus filhos e preservar seus vínculos.

Com a escolha para representar o Brasil no Oscar 2027, “Feito Pipa” leva para o circuito internacional uma história ambientada no sertão nordestino e marcada por temas como memória, deslocamento, violência doméstica e relações familiares.

Com Brasil de Fato

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