
Por Stanley de Carvalho*
Foi lá pelos idos de 1966 que Cláudio Barbosa, o Barbosinha, então tesoureiro da Assembleia Legislativa, costumava, com sua esposa Dona Lourdes, receber amigos para tomar umas cervejinhas, com boca-mole na grelha., sob as sombras do seu pequeno sitio na Jurubeba, no ainda então Distrito maceioense de Riacho Doce
Em uma Comunidade tão carente de lazer ao longo da semana, o lugarzinho do seu Barbosa logo se tornou ponto de encontro para os amantes de uma boa conversa, sempre regada a umas gelas, uma cachacinha e um suculento caldinho de peixe.
A casa ficava do lado de cima da pista asfáltica, distante cerca de 300 metros do mar, onde um mergulhinho de vez em quando ajudava a baixar a quentura, principalmente nos meses de verão. Com a popularidade do quintal do Barbosinha, como ponto improvisado para uma farrinha amistosa, os mais chegados resolveram sugerir a transferência do ponto de lazer, para uma área mais abaixo do terreno, bem mais perto do mar, onde ficaria mais acessível o mergulho nas águas azuis do Atlântico.
Foi então erigida uma construção pequena e simpática, agora sob os coqueirais preguiçosos do Riacho Doce, que compunham a beleza escandalosa daquela paragem um tanto inóspita do litoral norte. O céu de brigadeiro, o calor gostoso com a brisa praieira, praticamente impunha aos amigos chegantes tomar um gole da gelada, trocando ideias, entrecortando-as com um mergulho no mar reconfortante, a duas dezenas de metros do novo ponto do Barbosinha.

A partir dai, a frequência foi aumentando, chegando famílias locais que convidavam outras pessoas das redondezas, fazendo com que o pontinho virasse uma referência para os fins de semana
Nasce o Zinga
Não deu outra! Logo aflorou o espírito empreendedor de Claudio Barbosa e assim passou a ser tema das conversas a ampliação ainda maior aquele ambiente quase familiar, a fim de torná-lo um ponto de lazer mais democrático, convidativo e diversificado, que chamasse a atenção da nossa sociedade cosmopolita, para programas de lazer e confraternizações, ao sabor da gelada e do som das ondas do mar. Um ambiente aberto que atraísse, por exemplo, a clientela do já famoso Bar Jangada, situado a 400 metros dali e que mais tarde viria a se tornar famoso como o Bar do Doquinha.
Seria como ampliar o roteiro das noitadas de fim de semana para os boêmios e a juventude da Capital, também proporcionando ao Cláudio um complemento ao salário de funcionário público que na época já era sofrível. Barbosa topou o desafio e da cobertura que abrigava o encontro de amigos fez nascer uma construção mais ampla e mais aprazível, dotada de um bar chique, restaurante especializado e uma boate de qualidade, além de um mirante de onde se contemplava toda a exuberante beleza do mar de Riacho Doce.

Aí surgiu, elevando-se dos coqueirais da Jurubeba, uma Casa muito agradável e de bela aparência, dotada da primeira boate com luz negra de Maceió e de bailes memoráveis com os cantores e bandas mais populares da Capital e, vez em quando, de outros Centros…tudo isso ao vivo.
Sofisticando a Casa
Barbosa, que sempre viajava ao Rio de Janeiro, resolveu tra diretamente do Hotel Glória onde costumava se hospedar, um Maitre, mais seis garçons, além do Chefe de cozinha Arnaldo Vasco que ora trabalhava no Navio Itaipé, constituindo um staff capaz de oferecer um serviço de alto nível no novo Empreendimento. Isso surtiu efeito com pouco tempo de funcionamento. O Zinga, cujo nome teria vindo do termo GINGA que significa “o remelexo, o balançado de quem está a dançar”, passou a revelar o litoral norte como vocacionado para intensos lazer e divertimento, principalmente nos fins de semana, de sexta a domingo.
Claudia Maria, Wanderley, os Diamantes, Grupo 6, Sambrasa, Xikitim, BlackCats, além de grupos e cantores de fora, sempre que possível, animavam as noites na Jurubeba. Paralelamente, funcionava um restaurante alinhado e aconchegante que oferecia pratos típicos da zona costeira, com o tempero inconfundível do Chef Arnaldo.

Nara Leão e Cacá Diegues
Não demorou muito e o Zinga passou a ser ponto de encontro dos políticos, dos empresários, lugar bem adequado para a celebração de almoços e jantares. em Encontros e recepções á Autoridades que vinham á Maceió para Reuniões, Simpósios, Congressos e para os mais variados tipos de Eventos promovidos pelos Setores Governamentais, Empresariais, Classistas ou Turísticos.
O roteiro da boêmia da Cidade da época, principalmente nos fins de semana, indicava: cerveja com patinhas de uçá ou frita e caldinho de siri ou peixe, no Bar do Doquinha, até às 23hr. Posteriormente: Zinga Bar – drinks, shows e danças, até as 3 da manhã e, em seguida, retorno à casa ou Motel Palmeira, se pintasse um clima, é claro.
A clientela do Zinga não dava pra ser definida. Era toda a sociedade notívaga de Maceió queamava os bares e boates, além de visitantes, inúmeros políticos, famílias de funcionários da Assembleia Legislativa, onde trabalhava Barbosinha, artistas e autoridades visitantes, Delegações do CSA, CRB e de times de fora, grupos de turistas que vinham se divertir e provar do cardápio praiano único do Zinga.
O Final
Acumulando sucessos, o Zinga funcionou até meados de 1980, quando a vida noturna de Maceió começou a se expandir para as ilhas da Massagueira e Santa Rita, onde era ofertada a visão majestosa do luar na lagoa, com bares em construções típicas e cozinha especializada em peixes e mariscos, saborosamente temperados.
Com o fechamento do Zinga, a área foi vendida e hoje está ocupada por uma residência suntuosa que se eleva da praia, por trás de um imenso paredão de pedra.
(*) Stanley de Carvalho é engenheiro civil, compositor e cronista






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