Alagoas registrou uma queda de 47,8% nos índices de gravidez na adolescência entre 2015 e 2025, segundo dados do Ministério da Saúde monitorados pela Secretaria de Estado da Primeira Infância. O percentual de gestantes adolescentes caiu de 26,3% para 15,2% no período, consolidando uma tendência de redução ao longo da última década.
Os números também mostram mudança no perfil da maternidade no estado. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados pelo projeto Brasil em Mapas, a idade média das mulheres alagoanas ao terem o primeiro filho chegou a 27 anos, acima da média nacional, que é de 26 anos.
Em 2015, Alagoas registrou 52.317 nascidos vivos, dos quais 28.234 eram filhos de mães adolescentes. Já em 2025, o número total de nascimentos caiu para 46.384, enquanto os casos envolvendo adolescentes chegaram a 14.732.
Entre as faixas etárias com maior incidência de gravidez precoce estão jovens de 19 anos, que representam 36,01% dos casos, seguidas pelas de 18 anos (21,45%) e 17 anos (13,59%).
Para a secretária da Primeira Infância, Caroline Leite, a redução dos índices reflete avanços em políticas públicas voltadas à educação, saúde e planejamento de vida.
“Quando falamos sobre gravidez na adolescência, não estamos tratando apenas de saúde, mas também de permanência escolar, autonomia e perspectivas de futuro para essas meninas. O nosso compromisso é garantir que a maternidade seja uma escolha consciente e não resultado da falta de acesso à informação e cuidado”, afirmou.
Segundo a secretária, o aumento da idade média da maternidade também demonstra maior planejamento por parte das mulheres.
“O fato de Alagoas já estar acima da média nacional mostra que estamos avançando na construção de políticas que impactam diretamente os projetos de vida das meninas e mulheres alagoanas”, acrescentou.
No Sertão, o município de Pão de Açúcar foi escolhido para receber um projeto-piloto de enfrentamento à gravidez precoce, desenvolvido em parceria entre a Secria, a Secretaria de Estado da Saúde e a prefeitura municipal.
A gerente executiva de Saúde da Secria, Emilie Oliveira, explicou que o estado vem ampliando ações de conscientização e prevenção entre adolescentes.
“Nós realizamos palestras, movimentos de mobilização e ações educativas para alcançar esse público de forma mais efetiva. Além disso, também ofertamos métodos contraceptivos por meio do Programa Decidiu, fortalecendo o acesso à informação e ao planejamento reprodutivo”, destacou.
O programa DeciDIU, desenvolvido em parceria com a Sesau, também promove a capacitação de profissionais de enfermagem para inserção e retirada de DIU na atenção básica dos municípios.
A supervisora de Cuidados à Saúde da Mulher, Criança, Adolescente e Rede Alyne, Luiza Balbino, afirmou que as ações vêm sendo fortalecidas dentro das escolas por meio da integração entre saúde e educação.
“Temos trabalhado o enfrentamento da gravidez na adolescência abordando temas como métodos contraceptivos, saúde mental e planejamento reprodutivo, em conjunto com a Secretaria de Estado da Educação e os municípios”, afirmou.







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