O psicólogo e pesquisador Altay de Souza fez um alerta contundente sobre os impactos das apostas esportivas — conhecidas como bets — durante uma live da Agência Pública, realizada na última segunda-feira (7), no YouTube. Segundo ele, tudo nas plataformas de apostas é projetado para viciar, e qualquer pessoa pode desenvolver um comportamento patológico.
Com doutorado em Psicologia Experimental pela USP e formação em Estatística, Altay analisou os efeitos sociais e econômicos do fenômeno. Para ele, o crescimento das apostas é grave e já causa prejuízos bilionários à saúde pública, produtividade e economia do país. “Mesmo que você não jogue, com certeza conhece alguém em risco patológico”, afirmou.
Dados do Raio-X do Investidor Brasileiro mostram que 23 milhões de pessoas apostaram em 2024. Destas, 3 milhões têm alta propensão ao vício, e 16% veem a aposta como forma de investimento. Para Altay, o grande perigo das bets é a “ilusão de controle”, em que o apostador acredita que seu conhecimento sobre esportes pode prever resultados.
Ele ainda destaca fatores como tempo de exposição, apelo publicitário e desigualdade social como elementos que potencializam o vício. “A bet entra como solução ilusória num país em que muita gente não pode esperar um ano para ganhar R$ 200, mas precisa de R$ 100 agora”, disse.
A publicidade, segundo Altay, reforça o comportamento viciado ao associar o jogo ao entretenimento e ao sucesso. No início, o jogador ganha mais, o que estimula a memória emocional positiva. Depois, mesmo perdendo, continua jogando, reforçado pela lembrança das vitórias.
No campo econômico, o pesquisador denuncia a evasão de recursos para o exterior. “O dinheiro das apostas não circula no Brasil. É uma paralisação da nossa estrutura econômica.”
Altay defende que a regulamentação do setor seja mais rigorosa. “Como cientista, rogo por mais consciência. Quando digo regulamentar, é proibir mesmo”, concluiu.
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